Diretores – Akira Kurosawa

O cineasta japonês conquistou os olhos do Ocidente para a filmografia asiática

O cineasta japonês conquistou os olhos do Ocidente para a filmografia asiática

A figura do Samurai no cinema japonês é o equivalente ao caubói no faroeste americano. Um personagem milenar imortalizado nas telas com dignidade pelo cineasta japonês Akira Kurosawa, um dos grandes nomes do gênero responsável por colocar o cinema asiático no circuito ocidental. A beleza visual e plástica de seus filmes, mesmo realizados em preto e branco, é uma marca exuberante da trajetória do diretor que começou a carreira nos anos 40, construindo a partir daí uma filmografia que abarcaria mais de 30 filmes. Cinco deles comentados humildemente aqui.

O auge da carreira seria com o espetacular Rashomon, clássico 1950 premiado no Festival de Veneza em 1951, assombrando não apenas a crítica japonesa, mas também o mundo cinematográfico internacional, que desconhecia por completo, até então, a força simbólica e narrativa empolgante dos filmes japoneses de época.

Respeitado mundo afora, o diretor, que tinha como grande paixão a pintura e chegou a ganhar a vida como ilustrador, veja você, tentaria suicídio no início dos anos 70 por falta de trabalho. “Acho que para saber o que aconteceu comigo depois de Rashomon o procedimento mais razoável seria me procurar-me nos personagens dos filmes que rodei (desde então)”, chegou a dizer certa vez.

Curioso que meu interesse pelo cineasta japonês nasceu de um equívoco cinematográfico. Na ilusão de que o faroeste, Sete homens e um destino, teria inspirado Kurosawa a dirigir uma de suas obras-primas, Os sete samurais. Quando na verdade, foi justamente o contrário. Inpirando John Sturges a fazer seu filme seis anos mais tarde.

Os sete samuraisTop Five – Akira Kurosawa

Dersu Usala (1975) – A primeira vez que vi essa comovente fita foi num festival de cinema da saudosa Academia de Tênis e deixei a sala com os olhos marejados. Não é apenas uma das mais belas histórias de amizade já retratada no cinema, mas um impactante ensaio humanista em defesa do homem naturalmente bom. A fotografia hipnótica do filme, com as belas paisagens da Rússia é um show à parte.

Sonhos (1990) – Talvez o mais pessoal dos trabalhos do diretor, nesse filme de episódios o diretor exorciza seus fantasmas de infância e traumas de toda uma vida com histórias reflexivas e humanistas. O ponto alto traz o diretor Martin Scorsese bem à vontade na pele do pintor holandês Vincent Van Gogh.

Ran (1985) – Ao adaptar Shakespeare (no caso aqui Rei Lear) para o Japão dos samurais o diretor não apenas reinventa o gênero que ajudou a consagrar nas telas, como sua própria carreira. A fotografia, elevada a status de pintura, é uma das protagonistas das belas cenas de batalhas da fita.

Os sete samurais (1954) – Influenciado pelos épicos de John Ford, Kurosawa conta aqui a história de sete ronins que são contratados para proteger uma vila de camponeses. Apesar de demasiadamente longo, o filme é diversão pura, com atuação impecável do ator-fetiche do diretor, Toshiro Mifume.

Rashomon (1950) – A história de um assassinato e estupro narrado pela ótica de quatro pessoas rendeu a Kurosawa o reconhecimento internacional. Um primor de engenharia narrativa inspirada pelas vanguardas francesas, o filme inspiraria diretores como Quentin Tarantino.

* Este texto foi escrito ao som de: A rush of blood to the head (Coldplay – 2002)

A rush blood

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2 comentários sobre “Diretores – Akira Kurosawa

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