Malévola (2014)

Nessa adaptação ousada de clássico da Disney Anjelina Jolie contracena com a filha de 4 anos

Nessa adaptação ousada de clássico da Disney Anjelina Jolie contracena com a filha de 4 anos

Até assistir Malévola outro dia, achava a atriz Angelina Jolie de uma beleza sem graça incômoda. Mas mudei de opinião e não sei se por causa da maquiagem sombria que a deixou sensual, sedutora e perversamente charmosa no filme. Mas isso todas as bruxas de Walt Disney são, ou seja, sensuais, sedutoras e perversamente charmosas, basta se lembrar da criatura nefasta de A Branca de Neve e os sete anões. O detalhe é que, graças à diva do cinema, a malvada personagem traz sex appeal envolvente, com seus grandes olhos esverdeados surgindo como dois faróis de mistérios nas telas.

E mistério por que essa nova produção da Disney traz versão ousada e diferente da clássica história de 1959 que conhecemos. Para começar, a trama é narrada a partir da perspectiva de Malévola, aqui uma fada de asas dotada de senso de justiça. Um dia, traída pelo ambicioso camponês Stefan, que negligencia seu amor e corta suas asas em troca de poder, ela se transforma numa criatura amarga, sem piedade e vingativa. Não sei por que, mas tive a impressão de que o roteiro faz velada referência à passagem bíblica sobre o anjo Lúcifer.

Malévola 2“Todos sabem que quando alguma coisa nos machuca, nós ficamos amargos, e ela se tornou uma pessoa amarga”, disse a atriz em entrevista de lançamento da fita no início do ano.

A força do roteiro está na dubiedade com que a trama é costurada, se esquivando o tempo todo da conduta maniqueísta de enredos do gênero, revelando aqui uma Malévola com o coração cheio de ódio, mas também aberto e com dúvida em relação a esse sentimento quando se depara com as belezas da vida. E a beleza da vida pode estar na candura e ingenuidade de uma criança que não tem culpa dos atos dos pais. De modo que, em Malévola, o mal é o bem e vice-versa.

“Boa noite, praguinha”, diz ela em dado momento da trama, esboçando rancor com relação à filha do rei que amaldiçôo eternamente, ao mesmo em tempo que revela, entre um encontro e outro, certo afeto com relação a sua vítima que irá mudar o final dessa história de forma drástica. Há, inclusive, uma cena emblemática e construída de forma sutil revelando essa ambiguidade da bruxa, que é aquela da guerra de barro na floresta.

Além de impactante direção de arte, o filme apresenta um dos figurinos femininos mais belos que vi no cinema nos últimos tempos, com cortes que caem perfeitos nas curvas sinuosas da atriz. Sempre achei que o preto é a cor preferida das musas da sétima arte. E também não me lembro de ver a diva em atuação tão marcante em papel do bem, no que nessa encarnação do mal nas telas. É como se ela tivesse nascido para viver as trevas no cinema.

Mas Anjelina Jolie, com suas nuanças em luzes esmeralda, não brilha sozinha em Malévola. Comedido, mas não menos expressivo, o ator britânico Sam Riley (Control – 2007) conseguiu despertar minha atenção em pequenos momentos na pele do macabro corvo Diaval. Contudo, quem me enfeitiçou mesmo foi a danadinha Vivienne, a filha do casal Brad Pitt e Anjelina de quatro anos que contracenou com a mãe porque todas as crianças da idade desconhecidas que faziam a cena com a atriz, choravam de medo.

“Eu dizia olá e elas já começavam a chorar”, lembra a atriz. “Ela (a filha), ser considerada uma atriz é muito engraçado, ficamos babando nela”, comentou sobre a filhota.

* Este texto foi escrito ao som de: Every picture tells a story (Rod Stewart – 1971)

EveryPictureTellsaStory

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