Kandinsky – Tudo começa num ponto

Uma das telas do mestre russo do abstrato na exposição imperdível do CCBB

Uma das telas do mestre russo do abstrato na exposição imperdível do CCBB

Para mim, que não entende quase nada de artes plásticas, a obra do pintor russo Wassily kandinsky (1866 – 1944), representa a alegoria do minimalismo. Só não me pergunte o que isso quer dizer por que não tenho a menor ideia. Só sei que na última terça-feira fui ao CCBB ver a abertura da exposição inédita no Brasil, Kandinsky – Tudo começa num ponto, em cartaz no espaço até 12 de janeiro, e senti isso, saí de lá flutuando em nuvens de sonho. Sabe, há grande beleza nos traços simples do artista russo, uma simplicidade da alegoria abstrata expressa nas colinas e cossavos, cavalos e torres, xícaras e pires que pintou, enfim, nas sombras, cores que refletem nas águas dos lagos e nas montanhas frias da Rússia que faz ecoar algo enriquecedor em nossa alma.

“Pintar é detonar um choque de mundos diferentes”, disse certa vez ele e deve ser mesmo, quando nos deparamos diante de uma tela sua.

E há dezenas delas ali no CCBB, junto com trabalhos de artistas conterrâneos, contemporâneos não tão famosos quanto ele no Ocidente, mas igualmente talentosos e divinos com os pincéis. Bem, para quem não sabe e eu não sabia, Kandinsky, nascido em Odessa, foi um dos pioneiros, senão o pai das pinceladas abstratas na pintura. Reza a lenda que Kandinsky tomou conhecimento da força do abstracionismo quando observou uma de suas telas de cabeça para baixo. “Extraordinária beleza, irradiando um brilho interno”, teria dito antes de percebe o descuido.

Red churchA exposição que acontece pela primeira vez na América Latina conta, ao todo, com 72 trabalhos vindos de cinco países entre quadros e objetos primitivos que vão desde rocas de fiar e trenós seculares, passando por tambores, vestes e calçados xamânicos de povos do Norte da Rússia. Kandinsky tinha enorme fascínio pela arte popular, a arte primitiva, onde se podia encontrar o essencial e o íntimo, o encontro entre o homem e o divino.

Claro que eu já tinha visto alguns de seus trabalhos coloridos por aí em algum livro ou na internet mesmo, mas com certeza não tinha a menor ideia de que eram obras suas. Na minha ignorância, devo até ter confundido alguns de seus traços com Miró ou alguma obra psicodélica dos anos 60 e, falando em psicodelia, diria que telas do pintor russo como Improvisações (1913), Dois ovais (1919), No branco (1920) – todas expostas no CCBB -, entre outras, devem ter influenciado uma quantidade brutal de artistas psicodélicos daqueles loucos anos 60. Pensando assim arriscaria dizer que, se Kandinsky é o pai do abstracionismo, com certeza é avô da psicodelia.

E como as cores são vivas em sua pintura. Aliás, o artista cunhou uma metáfora lírica para explicar o uso da cor em sua obra, associando-a àquela que talvez seja a mais completa das artes: a música.

“A cor é a tecla, o olho o martelo. A alma, o instrumento das mil cordas”, sintetizou.

E de todas as obras que vi na exposição Kandinsky – Tudo começa num ponto, a que mais me tocou, me deixando com vontade de morar dentro dela foi o quando Igreja vermelha, pintada entre 1901-1903. Talvez porque eu, um ateu vacilão, acredite que deus só freqüenta igrejas vazias. Será?

* Este texto foi escrito ao som de: Odessa (Bee Gees – 1969)

Bee Gees - Odessa

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