Diretores – Terrence Malick

Intimista e recluso, o cineasta setentão tem um estilo contemplativo

Intimista e recluso, o cineasta setentão tem um estilo contemplativo de filmar

No final de 1998, enquanto todo mundo babava ovo por conta de O resgate do soldado Ryan, filme de Steven Spielberg sobre a 2ª Guerra Mundial estrelado por Tom Hanks, o recluso diretor norte-americano Terrence Malick, de quem nunca tinha ouvido falar, me assombrava com seu estilo contemplativo no formidável Além da linha vermelha. Baseado em livro de James Jones – mesmo autor que inspiraria anos antes o clássico A um passo da eternidade (1953) -, a fita é uma pintura sobre a luta dos americanos nesse mesmo conflito, só que ocorrido do outro lado do globo terrestre, no Pacífico.

De origem assírio-libanesa, o diretor de 70 anos dirigiu pouco, seis títulos apenas, mas sua curta filmografia é marcada por trabalhos de impacto tanto do ponto de vista estético, quanto temático. Alto, com vasta barba, Malick é conhecido pela timidez e economia dos diálogos, sendo avesso à entrevista e promoção de sua imagem. Um acadêmico respeitado, com formação em filosofia em Harvard, chegou a frequentar Oxford, mas abandonou o curso antes do doutorado para seguir carreira de jornalista e cineasta.

Reza a lenda que o estilo intimista do diretor se deve ao peso opressivo da culpa por ter deixado o irmão caçula se suicidar na Espanha, onde estava para aprender violão clássico com o respeitado e exigente professor Segovia. Aparentemente enlouquecido pelos estudos, Larry havia quebrado as próprias mãos e teria tirado a vida antes da chegada do pai. Parte desse drama pessoal é mostrada de forma velada no drama, A árvore da vida.

PocahontasTop Five – Terrence Malick

Além da linha vermelha (1998) – Poucas vezes o caos e a destruição foram filmados de forma tão sublime no cinema, talvez o mais belo filme já realizado sobre os horrores de uma guerra. A cena do incêndio num canavial tomado de serpentes é um sundae.

Cinzas do paraíso (1978) – Uma fábula idílica sobre um triângulo amoroso envolvendo dois camponeses e um fazendeiro no Texas. Como em outros de seus filmes, os personagens orbitam ao redor do encantamento e estilo contemplativo do diretor pela beleza da natureza. As belas cenas de pôr-do-sol e crepúsculo renderam à produção o Oscar de Melhor fotografia.

O novo mundo (2005) – O mito de Pocahontas pela ótica filosófica e introspectiva do diretor, mas uma vez reservando belas sequências envolvendo a mãe natureza.

A árvore da vida (2011) – Um projeto dos anos 70 engavetado até então, o filme surge como uma espécie de expurgo pessoal do diretor, com cenas veladas de sua vida pessoal. A fita traz atuações impecáveis, mas assusta o espectador pela abordagem filosófica.

Amor pleno (2012) – Malick polemiza aqui, a partir de narrativa abstrata e experimental para os padrões de fitas do gênero em Hollywood, temas como adultério e perda da fé.

* Este texto foi escrito ao som de: Tea for the tillerman (Cat Stevens – 1970)

Tea for the tilerman

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