25 anos da queda do Muro de Berlim

Muros são simbologia forte de proteção, mas também barreira de opressão imponente.

Muros são simbologia forte de proteção, mas também barreira de opressão imponente

Durante muito tempo na minha cabeça a Guerra Fria estava associada às cores azul e vermelha. Azul representando o capitalismo dos Estados Unidos e os aliados Inglaterra e França. Os reds a extinta União Soviética e os países do bloco comunista. Não me esqueço de um livro sobre a Alemanha que tinha em casa e que trazia o mapa do país divido em dois pelas bandeiras dessa divisão nefasta. Tudo bem simples e visivelmente sintomático. E entre esses dois eixos o mundo vivia em clima de tensão permanente. E o símbolo dessa divisão ideológica patusta e retrógada foi o Muro de Berlim.

Construído em agosto de 1961, a barreira cobria 66, 5 km, com 302 torres de observação e 127 redes metálicas eletrificadas com alarme.  As imagens de arquivo com alemães do lado Oriental tentando atravessar para o lado Ocidental, quando a divisão era feita ainda com frágeis cercas de arame farpado são agonizantes e sintomáticas de uma época. Para mim era como se os reflexos do nazismo, de alguma forma, fizessem ecos naquele período em que a Guerra Fria lançava suas garras sobre o mundo.

Mas, contudo, me lembro como se fosse hoje o dia em que o Muro de Berlim “caiu”, com o Muro de BerlimPedro Bial – na época em que ele era um bom jornalista e não essa caricatura da grade da emissora carioca -, entrando ao vivo na TV Globo direto da Alemanha, dando a notícia de eufórico. Uma imagem forte, diga-se de passagem. Com ele falando em primeiro plano e a população, ao fundo, quebrando, destruindo e tirando pedaços do muro para guardar de recordação dessa nefasta página de um passado negro na história da humanidade.

E acho que é isso. Biblicamente falando, os muros são simbologia forte de proteção, mas também barreira de opressão imponente. Os chineses construíram num passado milenar uma enorme muralha para impedir a invasão dos povos bárbaros e, a pergunta que alguém se esqueceu de fazer é, quem, de fato eram os bárbaros.

O engraçado é que o Muro de Berlim foi construído para impedir que as ideologias pudessem vazar e contaminar um dos lados, mas que engraçado seria tudo isso hoje, com o domínio poderoso das redes sociais fazendo com que as informações circulem sem barreira nenhuma. Como dizia aquela canção do Pink Floyd: “Tudo era apenas um tijolo no muro”.

Aliás, a única imagem de muro que quero ter em minha vida é a do disco The Wall.

* Este texto foi escrito ao som de: The Wall (Pink Floyd – 1979)

The Wall 2

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