Interestelar (2014)

Novo filme de Christopher Nolan é uma bobagem sobre algo que até agora não descobri o que é

Novo filme de Christopher Nolan traz discussão enigmática sobre o futuro no espaço

Que Christopher Nolan é um dos nomes mais ambiciosos e promissores do cinema isso ninguém duvida. Para mim, só o fato dele ter dado dignidade nas telonas a partir de nova repaginada a um dos meus super-heróis preferidos já conta muito, mas parece que o céu não é o limite para esse jovem cineasta de 44 anos. E literalmente. Basta conferir o seu mais novo trabalho que acaba de estrear em escala mundial, a ficção científica Interestelar. Fui ver o filme ontem e digo com sinceridade obtusa: odiei.

E odiei por um motivo muito simples. Não entendi patavina do que vi, e essa é a segunda vez que o diretor me faz sair de uma sessão de filme seu dando patadas rutilantes no asfalto como um burro de carroça. A primeira foi quando assistir A origem, com Leonardo DiCaprio. Obsessivo por temas como espaço-tema e tridimensionalidade, o diretor tem abordado a questão de maneira pretensiosa atendendo os anseios de seu umbigo.

InterestelarE digo isso com dor no coração porque sou fã do cara desde os seus primeiros trabalhos, os formidáveis Memento (2000) e Insônia (2002). Mas confesso que de uns tempos para cá o cara tem caído no meu conceito desde que passou a negligenciar o espectador sedento por histórias simples, humanas e despretensiosas.

Na trama de Interestelar, Cooper (Matthew McConaughey) é um ex-piloto da NASA que virou fazendeiro. Amargo, ele cuida dos dois filhos e do sogro após a morte prematura da mulher, ao mesmo tempo em que tenta driblar a crise agrícola que assola a região. Por causa das gigantes tempestades de poeira, a falta de alimento e onde ter o que plantar a vida na Terra para comprometida e a raça humana com os dias contados. Um dia, ele descobre o que não era para ser descoberto e passa a fazer parte de um mirabolante plano interestelar para salvar a humanidade, recrutado para encontrar um planeta habitável em outra galáxia.

“A ciência esclarece o que não sabemos”, ensina ele à filha Murphy (Mackenzie Foy), que parece querer seguir os seus passos.

Daí para frente, meu chapa, o filme descamba para um festival de teorias espaciais e científicas sobre o espaço-tempo, o presente-futuro trazendo, nas entrelinhas – se tivermos boa vontade -, questões como a importância da família, o egoísmo em face à megalomania, a esperança em detrimento do sacrifício, o instinto de sobrevivência motivado pelo amor. A última uma hora do filme é massante, delirante e chata.

“Nós só estamos aqui para sermos memórias para os nossos filhos”, filosofa Cooper. Não há como não perceber referências à obras clássicas do gênero como o icônico 2001 – Uma odisseia no espaço, do mestre Stanley Kubrick, mas é apenas uma referência, já que esse novo filme de Christopher Nolan é bem inferior, por exemplo, do que o similar Gravidade, do mexicano Alfonso Cuarón, muito mais profundo e envolvente. Não me empolguei nem com a presença da gatinha Anne Hathaway, tão apagadinha quanto o resto do filme.

* Este texto foi escrito ao som de: Venus and Mars (Paul McCartney – 1975) Venus and Mars 2

Anúncios

Um comentário sobre “Interestelar (2014)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s