Man on the run – Paul McCartney nos anos 70 (2)

Paul e os Wings em 1972, revisitando a mística de Magical Mistery Tour em turnê pela Europa

Paul e os Wings em 1972, revisitando a mística de Magical Mistery Tour em turnê pela Europa

Uma das coisas legais do livro, Man on the run – Paul McCartney nos anos 70, que estou lendo, é que o autor, o jornalista escocês Tom Doyle, não fica passando a mão na cabeça do ídolo, não. Ou seja, não poupa o cara. Daí o fato de fãs empedernidos como eu ficar surpreso e, em alguns casos, assustado mesmo com algumas revelações. Por exemplo, o músico era um maconheiro de marca maior, mas o mais incrível para mim foi saber que, um dos homens mais bem sucedidos do show business já naquela época, também mostrava ser um legítimo mão de vaca. Sim, meus caros, Paul McCartney era pão duro o que me faz lembrar aquela folclórica frase que ele teria dito quando soube que a mãe morreu:

– E agora, o que vamos fazer sem o dinheiro, dela?

Essa surpreendente sovinice do ex-beatle, como atesta Tom Doyle, foi um dos vários motivos de brigas entre os Wings, a banda que Paul montou nos anos 70 junto com Denny Laine. “As despesas com comida durante as apresentações eram nossa”, chegou a reclamar um dos músicos, nos anos em que, tal qual no filme Magical Mistery Tour, o grupo entrou num ônibus e viveu de fazer shows surpresas em universidades do interior do Reino Unido.

Nesse período, com dois discos solo nas lojas e um gravado junto com a nova banda, o Wings 2
fraco, mas emblemático Wild life, Paul McCartney ainda se sentia inseguro com relação a sua carreira pós-Beatle, mas arregaçou as mangas e foi dar um jeito na vida. Nas primeiras apresentações, talvez por birra ou trama, evitava cantar as canções que interpretava no fab four. Contudo, à medida que ia ganhando confiança em cima do palco, Paul ia se abrindo com relação a esses fantasmas do passado, ao mesmo tempo em que vivia novas experiências, como a de terminar os shows com os bolsos cheios de grana.

“Dois para você e dois para você”, recordaria anos mais tarde o guitarrista Henry McCullough. “Éramos como crianças. Mas era tudo em moeda de cinquenta centavos. Você saía da universidade e os bolsos das calças pesavam”, detalha no livro.

Um dos pontos negativos do livro  Man on the run é que o autor não se aprofunda nos bastidores das gravações dos discos. No caso do fantástico, Red rose speedway, um dos meus preferidos, se resume a dar parcas e esnobes opiniões sobre as faixas. Mas talvez por ser um álbum emblemático na carreira de Paul e pelos acontecimentos inusitados envolvendo suas gravações, o autor dedica quase que um capítulo inteiro para o formidável, Band on the run.

Cansado de ficar enfurnado no estúdio Abbey Road, Paul estava, cada vez mais gostando de gravar em locações fora de Londres. Assim, sabendo que a EMI tinha várias instalações espalhadas pelo globo, pediu à equipe da gravadora lhe sugerisse “novos destinos” de trabalho. Durante algum tempo ficou cogitado se o próximo disco dos Wings, agora reduzido somente a Paul, Linda e o fiel Denny Laine, seria gravado em Bombaim, Pequim ou Rio de Janeiro. A escolha por Lagos, a capital nigeriana, tinha razão de ser na recente simpatia de McCartney por ritmos africanos. Mas também com a ideia de férias de trabalho.

“Legal… Ficar na praia o dia todo, sem fazer nada. Depois ir tranquilamente para o estúdio e gravar”, lembraria o artista.

Mas as coisas não foram bem desse jeito.

Os bastidores dessa aventura na África no próximo post sobre o livro…

* Este texto foi escrito ao som de: Tug of war (Paul McCartney – 1982)

Tug of war

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