Meu amigo Harvey (1950)

No filme James Stewart é um abilolado que acredita que seu melhor amigo é um coelho gigante

No filme James Stewart acredita que seu melhor amigo é um coelho gigante

Se todo mundo tivesse um amigo como o Harvey o mundo seria bem melhor. Disso eu tenho certeza. James Stewart também, quando aceitou fazer, nos anos 50, o papel do abilolado Elwood P. Dowd, na comédia, Meu amigo Harvey, que comprei outro dia, em blu-ray, aproveitando a comemoração dos 100 anos da Universal. Baseado em peça vencedora do Pulitzer escrita por Mary Chase, o filme conta a história desse pacato cidadão que acredita que seu melhor amigo é um coelho gigante que só ele vê.

A entranha entidade oriunda da mitologia celta tem o poder de fazer com que nosso simpático herói se esqueça da realidade que o cerca, vendo tudo ao seu redor com bons olhos, sem maldade nenhuma, sempre atendendo a todos com gentileza. “O que você tem em mente?”, responde ele toda vez que alguém lhe pergunta o que deseja. “Existe um pouco de inveja nos melhores de nós”, diz, filosofando com a serenidade dos loucos.

Contudo, a inusitada situação é um espinho no ceio do lar, deixando a irmã mais velha (Josephine Hull) e sua filha (Victoria Horne), loucas e envergonhadas diante da sociedade, obrigando-as a interná-lo num sanatório. Decisão motivada pelo fato dele ser o único herdeiro da família. Para tanto, contará com a ajuda de um juiz interesseiro (William Lynn). “Tem pessoas que escolhem os melhores momentos para que as pessoas se não se conheçam melhor”, lamenta a insensível Myrtle, a sobrinha solteirona, sedenta de amor.

HarveyIngênuo, Elwood acaba indo parar no sanatório, mas uma série de reviravolta faz com que a irmã seja internada por engano em seu lugar, criando inúmeras situações divertidas e hilárias típicas daquelas comédias malucas dos anos 30 e 40, as screwballs.

Simples com seu enredo surrealista, o filme, dirigido por Henry Koster, foi uma das comédias mais queridas pelo público na época e rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator para James Stewart, que realmente está formidável no papel. Teve mais sorte a divertida Josephine Hull, que abiscoitou merecidamente o prêmio de Atriz Coadjuvante. Nas entrelinhas, a comédia fazia velada crítica à nova ciência que se propunha “entender” as maluquices do homem moderno, como a psiquiatria, assim como a tão batida hipocrisia humana. A sequência do psiquiatra se rendendo as estripulias de Harvey, dentando e se auto-analisando no divã é um sundae de tão engraçada.

Anos mais tarde, como mostra o extra do blu-ray, James Stewart, um dos meus atores preferidos, admitiria que o filme foi um dos trabalhos que mais gostou de fazer em toda a sua vasta carreira. Tanto que interpretaria o papel no teatro por anos e, nos anos 70, participaria de uma versão para a TV.

Como se vê, até a Mônica do Maurício de Souza quis ter um Harvey para ela. Menor, mas um Harvey só dela.

* Este texto foi escrito ao som de: Nine cloud (George Harrison – 1987)

Nine Cloud

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s