Nelson Motta 70

Simpático, carismático e inteligente, o cara foi um dos pioneiros da jornalismo musical na TV

Simpático, carismático e inteligente, o cara foi um dos pioneiros da jornalismo musical na TV

“Tenho fascínio por novidade, loucura por novidade”, gosta de dizer o jornalista e homem de cultura e entretenimento, Nelson Motta, que este mês completa 70 anos de vida. Ok, eu posso ter entrado para o jornalismo por causa do Arnaldo Jabor e Paulo Francis, intensificando minha paixão pela profissão com mestres como o genial Samuel Wainer, mas eu sempre quis ser um autêntico jornalista das artes na linha do Ruy Castro e o Nelsinho Motta, que já fez de tudo relacionado ao assunto. Acho que ainda dá tempo.

Além de jornalista, Nelson Motta já se aventurou como compositor, escritor, roteirista, produtor musical. Para quem não sabe, ele é letrista dos maiores sucessos da carreira de Lulu Santos, eterno parceiro do pop rock nacional. “Junto com a assinatura dele eu escrevi meu nome na MPB”, admite o músico, co-autor dos sucessos Como uma onda e Certas coisas.

Paulista filho de advogado, Nelsinho, um das figuras mais queridas do segmento, chegou ao Rio de Janeiro aos seis anos de idade de onde não saiu mais. Talvez motivada pela máxima gaiata do dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues de que “a pior forma de solidão e a coexiste companhia de um paulista”.

Noites tropicaisA música sempre foi uma paixão, mas quando escutou pela primeira vez Chega de saudade, com João Gilberto, lá no final dos anos 50, viu que de repente ali estava um grande oceano a desbravar e não parou mais. Primeiro tentou a carreira artística, tocando violão na banda de samba jazz e que montou junto com Francis Hime, Os seis em ponto. Mas dotado de forte senso crítico, viu que, ao invés do violão, a máquina de escrever e a caneta poderiam ser instrumentos mais interessantes profissionalmente.

Assim, ao mesmo tempo em que se tornava um dos pioneiros repórteres de música da televisão, dava início a uma rica carreira de compositor. A primeira letra que escreveu foi Saveiros, em parceria com Dori Caymmi.

Na televisão, com simpatia, carisma e inteligência, foi figura chave na cobertura dos grandes festivais de música. Com talento nato para descobrir talentos, ajudou a firmar a trajetória de nomes como Tim Maia e Elis Regina, com quem foi casado. “O Tim Maia foi o cara que mais me fez ri na vida”, revela. “Mulher é um bicho difícil de entender, ainda não aprendi isso”, confessa.

No auge das discotecas, Nelson Motta, sempre antenado, lançou as Frenéticas e conseguiu furos incríveis para a televisão entrevistando ídolos eternos para TV pela primeira vez. Tim Maia foi um deles, Raul Seixas outro, além da incrível Clementina de Jesus. Numa entrevista de 1978, o jornalista arrancou de Cartola o desejo de ver uma de suas composições gravadas pelo rei Roberto Carlos e num papo odontológico carnavalesco com Emilinha Borba, em 1973, apresentou ao público um samba escrito pelo dentista da rainha do rádio.

“A música é tudo em minha vida”, diz com prazer.

Minha estante mágica guarda alguns livros sobre música escritos pelo Nelson Motta, que viveu a vida cultural brasileira nos últimos anos 40 anos, de forma intensa. Momentos registrados no livro de memórias, Noites tropicais. Um dos criadores do revolucionário programa, Armação ilimitada, que marcou sua estreia como ficcionista, Nelsinho autografou para mim alguns de seus romances que confesso, ainda não tive coragem de ler.

* Este texto foi escrito ao som de: Rock ‘n’ roll (John Lennon – 1975)

John Lennon - Rock 'n' Roll

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