Man on the run – Paul McCartney nos anos 70

No livro o autor reforça a ideia de como a presença de Linda foi fundamental para Paul na década de 70

No livro, o autor reforça a ideia de como a presença de Linda foi fundamental para Paul artisticamente

Certo dia, em meados de 1972, conversando com o ex-dirigente da Apple Records, Ron Kass, Paul McCartney mencionou a velada ambição de escrever um tema para um filme de James Bond. Sem se abater, o ex-membro do selo do fab four comentou que conhecia os produtores da grife e que tinha certeza de que eles ficariam animados em ter um ex-Beatle compondo a canção para o próximo filme. E foi assim que nasceria o clássico Live and let die.

Acho que estavam querendo Shirley Bassey -, lembraria entre gargalhadas, anos depois, Paul, contando que o produtor Harry Saltzman tinha em mente, veja você, outra pessoa para cantar o hit.

Eis aqui uma das milhares de histórias do bacana livro, Man on the run – Paul McCartney nos anos 70, escrito pelo jornalista escocês Tom Doyle. A obra, lançada no país pela editora Leya, foi parar na minha estante mágica motivado por mais uma apresentação do meu beatle predileto no Brasil. Com essa, será a terceira vez que vejo um show do cara e com muito gosto.

Paul McCartney 4Bem, a capa do livro, com Paul trazendo uma rosa na boca deve ser, imagino eu, sobras das sessões de fotos do marcante disco de 73, Red rose speedway, e no recheio da obra, um recorte formidável da fase mais pesada do artista, quando ele teve que se virar sozinho para construir uma carreira-solo edificante sem o eterno parceiro John Lennon e o fim dos Beatles. Misturando entrevistas feitas com o músico e vasto material de pesquisa garimpado em livros, reportagens, o livro até “engana” aqueles fãs menos familiarizados com os fatos dessa fase da vida do músico. O título do livro é uma dupla brincadeira com o maior sucesso da carreira-solo de Paul, o sensacional álbum Band on the run, mas também com a faixa do grupo norte-americano R.E.M., Man on the Moon, uma das obsessões do autor.

Contudo, está tudo lá, cuidadosamente registrado. Ou seja, com detalhes surpreendentes, o autor mostra os pormenores da briga que resultou na separação definitiva dos Beatles, com a presença bizarra do empresário oportunista Alan Klein, o susto de Paul, aos 27 anos, em se ver sozinho com a responsabilidade de não desapontar os fãs, a importância da mulher Linda, que teve que lutar para conquistar sua vaga de tecladista na banda, além dos bastidores da gravação de cada disco e o surgimento dos Wings, banda que precedeu os Beatles.

“Depois do drama, os McCartney se virão com uma segunda filha de sangue, Stella Nina, e o nome para a nova banda: Wings (asas)”, escreve o autor, ao relatar o sufoco do cantor e compositor, quando a mulher teve complicações no parto e ele foi afagado com a imagem de um anjo surgindo “com sua beleza simples e tranquilizadora”.

O que acho legal no livro do jornalista Tom Doyle é a coragem com que ele mostra um Paul McCartney amedrontado e fragilizado com o fim dos Beatles, no início dos anos 70, e como esse mito do pop rock dos anos 60 luta, mediante a sua insegurança, contra o ataque dos ex-colegas e da mídia e desconfiança da mesma e dos fãs com relação ao seu sucesso pós beatle.

“Acho que sua confiança estava um pouco em baixa, porque, depois dos Beatles, o que você vai fazer?”, chega dizer Denny Laine, quando este o convida para fazer parte de sua nova banda.

* Este texto foi escrito ao som de: Red rose speedway (Paul McCartney and The Wings – 1973)Red Paul

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