F.I.S.T. (1978)

Lembrado sempre pelos seus músculos, o ator, tem simbólica participação como roteirista em Hollywood

Lembrado pelos seus músculos, o ator, tem simbólica participação como roteirista

O grandalhão Sylvester Stallone cravou sua imagem no inconsciente coletivo de toda uma geração como o carismático lutador Rocky Balboa e o veterano de guerra traumatizado, John Rambo, dois personagens marcantes que se tornaram poderosas grifes no cinema e consolidaram de vez a carreira do astro em Hollywood. Sempre lembrado pelos seus músculos, o ator, que até dá conta do recado quando o assunto é atuação, tem uma simbólica participação como roteirista em filmes expressivo como o épico F.I.S.T., que você pode ver na programação do Telecine Cult.

Dirigido pelo canadense Norman Jewison – um nome sempre associado a um cinema político e social -, a fita conta a história de Johnny Kovak (Stallone), um operário que ganha a simpatia do sindicato dos caminhoneiros no interior dos Estados Unidos na década de 30, a Federation Interstate Trucks (F.I.S.T.). É uma época marcada pela presença sintomática de imigrantes vindos de várias partes da Europa, todos sob o calor de ideias humanistas e, sobretudo socialistas, estas, sopradas por países ligados ao bloco comunista.

A queda de braço é dura já que os trabalhadores querem melhores condições de vida, comoFIST pagamento de horas extras, planos de saúdes e mais civilidade na relação, empregados e patrões, mas os poderosos donos das empresas ignoram as propostas. Habilidoso com as palavras, um líder nato com a fúria de um soldado viking, logo Johnny Kovak consegue se despontar entre os seus pares e eleito membro do sindicato local. “Vocês têm a visão curta e o rabo gordo”, diz ele ríspido, numa reunião com seus superiores.

O choque é inevitável e do confronto das palavras para a luta corpo a corpo é um passo, com feridos e mortos para o lado mais fraco, com trabalhadores honestos esmagados pelas forças do sistema, da máquina do poder. “Aquele estrangeiro não vai armar um circo na minha empresa”, rebate indignado um chefão, mostrando quem tem poder.

Começam as greves e os prejuízos amargados pelos donos do dinheiro os fazem voltar atrás e fechar um acordo com os trabalhadores. O sindicato ganha poder e influência em todo o país, mas as ambições de Kovak o levam a dar as mãos com o crime organizado. É quando sua vida e de seus familiares e amigos começam a correr perigo. “Quando os favores terão fim?”, reclama ele, já incomodado com poderoso e inescrupuloso chefe da máfia.

Com fotografia expressiva do húngaro László Kovács, o filme é um épico importante sobre o pioneirismo dos sindicatos nos EUA, com todas as referências e códigos que permeiam o tema. Um deles, bastante simbólico, é a figura de um cantor folk embalando o acampamento dos grevistas, lembrando a mítica figura do ídolo Woody Guthrie.

Surpreende também, e os amantes do cinema devem prestar atenção neste detalhe, por mostrar Sylvester Stallone seguro na atuação do papel que escreveu para si, quando encarna um líder sindicalista. Mas quando vive um simples homem apaixonada por uma imigrante lituana, por exemplo, se mostra piegas como o ingênuo lutador Rocky Balboa, mas trata-se de uma opção dramática. No geral, é um trabalho de peso e sua trajetória.

* Este texto foi escrito ao som de: The times they are A-Chagin’ (Bob Dylan – 1964)

Bob Dylan 4

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