Tame Impala – Manso como um cervo

O talentoso Kevin Parker à frente da banda do momento em minha jukebox sentimental

O talentoso Kevin Parker à frente da banda do momento em minha jukebox sentimental

Não vá ri meu chapa, mas quando ouvi o nome pela primeira vez achei que fosse algum carro, mas na verdade Impala é um bicho da classe dos veados, cervos, um treco assim, bastante comum na África. Também faz referência à banda australiana de rock psicodélico Tame Impala, cujo som, tem feito minha cabeça de forma visceral nos últimos dias. O que prova mais uma vez que sou saudosista de um tempo que não vivi, já que a sonoridade da banda é bem nostálgica, retro do tipo 60tista, 70tista, enfim, para lá de formidável. É mais ou menos como se você já tivesse escutado isso em algum lugar, mas só que melhor. Entendeu? Lembrei, imediatamente, dos californianos do Beachwood Sparks.

A “descoberta” foi mais uma cortesia do brother Pedro Brandt, meu cicerone musical predileto, sempre abastecendo minha jukebox sentimental com adoráveis “novidades”. A do momento, claro, são os dos discos de Kevin Parker e sua trupe, Innerspeaker (2010) e Lonerism (2012), e a pergunta que faço, de si para si, é onde diabos eu estava quando eles lançaram esses dois projetos entre 2010 e 2012? E os caras já estiveram no Brasil…

Bem, vamos lá. Com 28 anos, Kevin Parker traz biografia clássica dos jovens talentos como Tame Impala 3ele. Cresceu ouvindo as músicas psicodélicas dos Beatles e Beach Boys que os pais tocavam em casa. Dali para sundaes como Cream e Jefferson Airplane foi um passo e não demorou muito para o moleque curioso pegar a guitarra emprestada do pai – um músico amador nas horas vagas -, para começar a brincar. O resto é história.

A música que me deixou no chão, com sua bateria vibrante e gostosa foi, I Don’t really mind, última faixa do primeiro álbum, que escutei depois de ouvir o segundo Lonerism. Apesar de mais encorpado, denso e experimental Lonerism não me entusiasmou mais do que Innerspeaker. Por enquanto.

Mas depois de mergulhar a fundo nos dois registros, após várias audições em insones madrugadas, a memória vai se despertando, desabrochando e me revelando algumas surpresas deliciosas. Por exemplo, Feels like we only go backwards já dançou em minhas ondas cerebrais em algum momento nesses últimos anos, só não sei aonde. Será que na trilha de algum filme? Numa festa? No rádio do carro? Ou no som do meu inquieto inconsciente? Não sei, só sei que tem uma versão folk do Arctic Monkeys que simplesmente é sensacional. “Parece que eu só ando para trás, baby/Cada parte de mim diz em frente/Eu tenho minhas esperanças de novo/Parece que só andamos para trás, baby”, diz a letra.

Viajante, as canções do Tame Impala, todas escritas por Kevin Parker, o cérebro e emoção por trás da banda, são um milkshake de guitarras com efeitos, reverberações amparadas por pedais e vocais melódicos, etéreos. A experimentação de algumas faixas lembra qualquer coisa dos Mutantes e não é por acaso, já que o jovem músico australiano já confessou conhecer e admirar a banda dos irmãos Baptista.

AC/CD, Midnight Oil, Nick Cave, INXS, Men at Work… Fiquei pensando cá com os meus botões, faz um bom tempo que não ouço uma banda bacana lá pela terra dos cangurus.

* Este texto foi escrito ao som de: Innerspeaker e Lonerism (Tame Impala – 2010/2012)

Tame_Impala_Lonerism_Cover

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