Vino para robar (2013)

Daniel Hendler e Valeria Bertucceli na comédia inspirada em James Bond e "Missão impossível"

Daniel Hendler e Valeria Bertucceli na comédia inspirada em James Bond e “Missão impossível”

Depois do argentino Ricardo Darín, o uruguaio Daniel Hendler é o nome da cinematografia latino-americana que mais me desperta atenção pelo talento, charme e personalidade. Desde que o vi pela primeira vez em El fondo del mar, na mítica Academia de Tênis, acho que ainda, em minhas memórias afetivas, o melhor lugar para se ver filme de arte em Brasília e que, uma pena, não existe mais. E olha você, já naquele tempo, o ator já tinha aquela cara de homem que já nasceu maduro, enfim, cara de Jean-Paul Belmondo. Não esqueço o dia em que mandei uma entrevista para ele por e-mail, já com as perguntas, sem perguntar se ele podia me atender, e levei um esporro daqueles on-line. Mas e daí, se ele acabou respondendo as perguntas…

Outro dia, de bobeira em casa, vi no Telecine Cult a comédia Vino para robar (2013), que estava na mostra competitiva do BIFF (Festival Internacional de Cinema de Brasília) este ano e que perdi. Ainda não sei se gostei do filme, mas pelo menos me deixou com vontade de tomar um vinho e lá estava eu, madrugada adentro, tomando meu cabernet sauvignon chileno.

Numa mistura de James Bond com Missão impossível, o filme narra as agruras, peripécias e entreveros do casal Sebástian (Hendler) e Mariana (Valeria Bertucceli) no mundo do crime. Os dois são especialistas em grandes roubos de raridades, mas começa a fita como rivais. Daí, uma situação bizarra e uma rara garrafa de Malbec de Bordeaux do século 19 os Vino para robarcolocam juntos. Mesmo que a contragosto.

A brincadeira agora é uni as forças e tentar tirar essa joia histórica que pertenceu a Napoleão Bonaparte de um banco de Mendoza, interior da Argentina. Para tanto, a dupla contará com a ajuda de um hacker descolado, Chucho (Martín Piroyansky), e de um investigador (Pabro Rago) que, paradoxalmente, tenta colocá-lo no xadrez antes que ele faça o grande roubo de sua vida usando um helicóptero.

Essa ideia do cinema brasileiro ou latino-americano em geral de querer parodiar grandes fórmulas, clichês de Hollywood me incomoda um pouco. No final sempre dá em algo que não preta. Por isso que os primeiros 40 minutos de Vino para robar me incomodaram tanto. Para falar a verdade, não sei se gostei do filme, mas também não cheguei a odiar. Talvez pelo charme irresistível de Daniel Hendler e das absurdas reviravoltas da trama e da boa direção de atores. Os diálogos espirituosos também são um ponto alto da fita, como na sequência em que o diretor faz uma brincadeira com dois dos grandes goleiros da seleção argentina, Nery Pumpido e Sergio Goycochea.

Ok, por todos esses detalhes, a fita pode ser incluída no rol dos filmes interessante feitos sobre o universo enólogo. Até porque, me fez ficar bêbado ao escrever esse texto.

* Este texto foi escrito ao som de: Elo Perdido (Arnaldo & Patrulha do espaço – 1977)

Elo perdido

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