Diretores – Werner Herzog

O cineasta (de bigode), nos bastidores de "Fitzcarraldo", ao lado de Klaus Kinski e Claudia Cardinale

O diretor (esq.), nos bastidores de “Fitzcarraldo”, ao lado Claudia Cardinale e Klaus Kinski

Dos diretores do “jovem/novo cinema alemão” – turma de cineastas que deram uma oxigenada na cinematografia daquele país no início dos anos 70, muito depois do sucesso e sombra dos trabalhos góticos de mestres como Murnau e companhia -, Werner Herzog é o que mais me fascina e me inquieta. Mais do que Fassbinder e Wim Wenders. E se você me perguntar o motivo responderei com sinceridade germânica: não sei. Só sei que desde que vi pela primeira vez O enigma de Kaspar Hauser na faculdade, com aquela inquietação rousseauneana pairando na trama, não deixei mais de conferir os trabalhos do cara. Uma pena nunca ter assistido ao drama Cobra verde (1987) no Cine Brasília, embora, nos meus primeiros dias na cidade, cansar der ver o cartaz do filme no mítico espaço.

Bem, filho de croatas nascido em Munique, Herzog é um autodidata do cinema que começou a fazer filmes depois de roubar uma câmera da Escola de Filmes de Munique. Isso, mais ou menos na época em que dividiu um apartamento com a família de Klaus Kinski e profetizar que seria cineasta e que o dirigiria.

Sem nunca ter frequentado uma universidade e sido assistente de alguém na vida, Herzog começou a realizar seus primeiros filmes até cunhar um estilo que o caracteriza como um nômade da sétima arte, com trabalhos realizados nos mais díspares lugares do planeta. “Eu sou o que são os meus filmes”, chegou a dizer certa vez.

Admirador confesso de talentos da humanidade como os pintores Hieronymus Bosch, Brueghel, Leonardo da Vinci e o filósofo alemão, Nietsche, o cineasta alemão – hoje na casa dos 70 anos -, tem, ou pelo menos tinha, a fama de ser de temperamento difícil e nutri desprezo pela propriedade privada, além de ter sido considerado pelo teórico da cultura, Gilles Deleuze, “o mais metafísico dos cineastas”, apesar do seu cinema físico.

Top Five – Werner HerzogNosferatu 1

Nosferatu – O vampiro da noite (1979) – A audácia e arrogância de Herzog o levou a pretensão de transformar sua releitura do clássico Nosferatu (1922), de Murnau, uma obra tão impactante e pungente quanto esse clássico. A cena filmada de cima dos caixões deixando a cidade, na metáfora da peste, é apocalíptica. Klaus Kinski está soberbo no papel-título.

Fizcarraldo (1982) – Em suma o filme se resume na ideia da vontade do homem de querer ser maior do que deus, ou seja, maior do que a natureza. Mais uma vez Kinski é o o protagonista, na pele de um aventureiro que sonha em construir um teatro de ópera no coração da floresta amazônica. A grandiloquência de algumas imagens é sufocante, como a que mostra, literalmente, um navio atravessando uma montanha.

Stroszek (1977) – Tendo como protagonista um ator não profissional, Herzog aqui, em sua sempre condição de nômade do cinema, faz uma contundente reflexão (universal) sobre a condição do imigrante alemão que busca uma vida melhor na América.

Aguirre – A cólera dos deuses (1972) – Baseado em fatos históricos, mais uma vez traz o diretor no coração da amazônica para contar a história da expedição espanhola na região, em busca do Eldorado. Kinski é um sundae na pele do comandante obcecado por poder e ouro.

O enigma de Kaspar Hauser (1974) – Crônica rousseaniana do diretor, o filme faz feroz crítica aos dogmas, às vezes ditatoriais da sociedade, pela ótica de um jovem débil mental.

* Este texto foi escrito ao som de: Tim Maia (1978)

1978 - Tim Maia

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