Uma princesa na loja de brinquedos

Como ela é um encanto de pessoa com seus olhos molhados, lábios rosados e sorriso largo, mágico e cativante...

Como ela é um encanto com seus olhos molhados, lábios rosados e sorriso mágico…

Era um sábado de alegria. Um fim de tarde que já andava de mãos dadas com o anoitecer. E no horizonte desse quase romper do crepúsculo, minha visão apenas conseguiu avistar sua estrela brilhando no meio daquele mundaréu de gente e agitação para comprar um brinquedo para as nossas crianças. Eu a vi de costas, com sua linda blusa florida que denunciava que ali estava uma rosa delicada, de mãos dadas com seu pequeno guri, “olha lá o meu guri”. E mesmo assim foi o suficiente para o coração disparar, as pernas ficaram bambas e a tremedeira dominar o corpo. Contudo, tomei coragem e lá fui falar ela, apenas cumprimentá-la, dizer um olá. E quando seu rosto de princesa da Disney virou para mim, acompanhado de voz melíflua, um mundo encantado se abriu.

Como ela é doce e gentil. Como ela é um encanto de pessoa com seus olhos molhados, lábios rosados e sorriso largo, mágico e cativante. De uma delicadeza singular, tocou uma das minhas mãos, beijou minha sobrinha e ainda me chamou de tio: “Olá lá, filho, o tio!”, disse. E, de repente, me senti gente. Sim, porque aquela frase soou em meus ouvidos como uma canção, daí eu me lembrei a passagem do desenho animado, A Bela Adormecida, em que duas das fadas-madrinhas agracia não apenas com o dom da música, mas também com o dom da beleza. E é isso. Minha princesa da Disney, definitivamente, nasceu com o dom da beleza, com o dom da delicadeza.

Turma da MônicaBem, foi um encontro rápido, queria ter perguntado pelo irmão, pela família, pelo trabalho, por tudo, mas foi marcante, o suficiente para me fazer feliz pelo resto do ano, pelo resto dos dias. Na verdade, o que eu queria mesmo era abraçar forte seu abraço, envolver seu corpo perfeito em meus braços, sentir seu cheiro de moça do bem pelas minhas entranhas, deixar que o seu hálito de delicadeza abalasse minhas estruturas.

Fui embora com a voz embargada, feliz da vida querendo dançar como Gene Kelly em Cantando na chuva, com minha sobrinha no colo, e quando a pequena não via deixei que duas lágrimas rolassem serenamente pelo meu rosto. Lágrimas de felicidade. Lágrimas de alegria.

À noite, em estado de graças, deitei pesado na cama, cansado da viagem, mas com essa doce lembrança levitando em minha memória. Dormir sorrindo com o coração alegre, a alma leve e sonhei que estava deitado em seu colo como um jovem carente, os braços enroscados com segurança em sua cintura, o rosto mergulhado na doçura de seu sexo, com os dedos delgados dela passeando em meus cabelos com graça e delicadeza, enfim, a visão do paraíso.

Os sonhos belos deveriam ser eternos. Mas acordar com aquela lembrança na cabeça foi sundae. E a doce princesa dos meus sonhos ainda me brindou com palavras sábias que eu, que não sei rezar, guardo dentro do meu peito como uma oração de cada dia. “Nestes dias difíceis, tenho a certeza de que o importante na vida é essa troca de carinho e atenção, especialmente com quem quer a gente bem”, ela disse.

Nem na Bíblia encontrei palavras tão sinceras, profundas e simples, que me emocionaram tanto. Acho que da próxima vez que a ver de novo, vou chorar um rio de felicidade. Um dia eu disse que queria que minhas sobrinhas fossem iguais a ela. Agora eu queria a mãe dos meus filhos sejam como ela. Só isso.

* Este texto foi escrito ao som de: Tea for the Tilerman (Cat Stevens – 1970)

Tea for the tilerman

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