Diretores – Stanley Kubrick

O cineasta, bem à vontade entre seus gladiadores em cena marcante de "Spartacus"

O cineasta, bem à vontade entre seus gladiadores em cena marcante de “Spartacus”

Só agora me dei conta de que, quase chegando à reta final de falar dos 50 diretores que me marcaram ao longo da vida, ainda não tinha me debruçado, veja só, sobre o mais renascentista dos cineastas, o norte-americano Stanley Kubrick. Mas lembrei o motivo. Era porque, no meio do caminho, estava lendo aquele livro do Michel Ciment com conversas com o diretor da Cosac & Naify. E como me dediquei a falar sobre cada um dos filmes do mestre…

Mas foi o Ruy Castro quem disse que o Stanley Kubrick era um renascentista da imagem. E é verdade, tem tudo a ver. Quer ver? Nascido no Bronx, filho de um médico, ele foi um dos piores alunos de sua turma. Isso porque faltava às aulas para ir ao cinema, vendo em média, de oito a dez filmes por semana. Nas horas vagas, quando ninguém estava olhando, saia por zanzando tirando fotos com a câmera Graflex de segunda mão presenteada pelo pai.

Num desses tecos, aos 16 anos, fotografou um jornaleiro desconsolado em sua banca, em 1945, no dia da morte de Franklin Roosevelt. Mandou a foto para a revista Look e não deu outra. A foto foi publicada e o fotógrafo contratado. Dali em diante, talvez ciente de que a fotografia era um primo distante das pinturas renascentistas, não parou mais, passando a tratar essa técnica como se fosse um elemento essencial em sua vida, não contentando em enquadrar a realidade e disparar. “Ele é um homem da renascença, que, por viver no século XX, convergiu seus talentos específicos para o cinema, talvez a única forma de expressão capaz de absorvê-los”, escreveu o jornalista, com seu texto elegante em julho de 1997.

Stanley Kubrick - A Life in Pictures [2001]  DVDRipTop Five – Stanley Kubrick

Barry Lyndon (1976) – Ainda não vivi para ver um filme com fotografia mais bela do que desse épico baseado no romance de William Makepeace Thackeray. Um esteta da imagem, Kubrick explorou com habilidade técnica e artística, todas as nuances da luz e cor nas telas.

Laranja mecânica (1971) – Ousado, o diretor aborda, corajosamente, o tema da delinquência juvenil, antecipando, em alguns anos, a fúria punk que iria assolar a Inglaterra no final dos anos 70. O desafio de filmar um romance de narrativa hermética não foi esquecido.

O iluminado (1980) – Só mesmo Kubrick, com sua habilidade de autor de cinema, capaz de alçar o gênero de terror à categoria de arte, dando dignidade ao texto de Stephen King. Atuação de Jack Nicholson é impecável, numa trama labiríntica entre a realidade e o sonho.

2001 – Uma odisseia no espaço (1968) – Foi preciso ver esse filme várias vezes para entender a complexidade existencial talhada por Kubrick a partir do som de Richard Strauss e ideias de Arthur Clarke. Assim como Guerra nas estrelas, uma referência primordial no gênero.

Spartacus (1960) – Com roteiro do tarimbado Dalton Trumbo, baseado em romance de Howard Fast, é de longe um dos grandes épicos bíblicos do cinema, com Kubrick assumindo a direção às pressas, depois do ator, protagonista e produtor, Kirk Douglas, se desentender com o diretor original, Anthony Mann. A sequência da briga dos gladiadores amigos está entre as melhores do cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: Encontros e despedidas (Milton Nascimento – 1985)

Milton Nascimento 3

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