Era uma vez em Nova York (2014)

Filme marca quarta parceria entre o ator Joaquin Phoenix e o diretor James Gray

Filme marca quarta parceria entre o ator Joaquin Phoenix e o diretor James Gray

Depois de brilhar divinamente no intimista e instigante drama Ela, Joaquin Phoenix volta a ser destaque nas telas brasileiras com o filme de época, Era uma vez em Nova York, em cartaz na cidade. Dirigido por James Gray, a fita, ambientada nos anos 20, conta a história de Ewa (Marion Cotillard), uma jovem polaca que vive o inferno na cidade da liberdade ao se separar da irmã na alfândega, já que esta sofre de tuberculosa. Sozinha e rejeitada pelos tios que ficaram de pegá-la no porto, ela então se junta ao cafetão Bruno (Joaquin Phoenix) na esperança de reencontrar sua irmã.

A fotografia sombria em tons de pastel e sépia já anuncia o pessimismo e amargura da narrativa que traz um olhar triste sobre o sonho americano. Porque a vida de esperança e oportunidade que Ewa esperava encontrar, logo cai por terra quando ela descobre que tem que vender o próprio corpo para comer no dia seguinte. Agora era é Lady Liberty, e vende prazer e luxúria ao primeiro que oferecer mais.

“Eu gosto de dinheiro. É você que eu odeio”, diz ela na cara de seu algoz Bruno que, apesar de tudo, a ama e venera com a paixão platônica de um adolescente. “O rouxinol sempre canta doce na hora escura”, desvencilha, ele, com dor na alma.O imigrante

Quando seu primo mágico Orlando (Jeremy Renner) volta ao teatro ganhando o público com impressionantes números de ilusionismo, desperta também atenção de Ewa e a ira de Bruno, que resolve ressuscitar velhas rixas de família. O desfecho de lavação de roupa suja é bíblico.

Com bela reconstituição de época, Era uma vez em Nova York traz a quarta parceria entre o ator Joaquin Phoenix e o diretor James Gray. Daí a facilidade e esmero com que dirige seu ator-fetiche, arrancando-lhe momentos marcantes de um papel ingrato que cresce e surpreende o público a medida que caminha para o fim. “Lambe o meu coração e sentirá o gosto do veneno”, desabafa ele, depois de tanto desprezo.

Impressionante como a fotografia opressiva e sufocante do filme consegue captar todo esse clima de animosidade e rejeição que perpassa a vida dos personagens. É como se o diretor quisesse nos ensinar, com seu jeito melancólico de ver a vida, mesmo que num passado distante, a vida em cores só existe no cinema.

Este texto foi escrito ao som de: Cheek to cheek (Tony Bennett & Lady Gaga – 2014)

Tony Bennett e Lady Gaga

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s