Diretores – Joseph L. Mankiewicz

O cineasta foi mais um roteirista sofisticado e mordaz do que um hábil manipulador da técnica do cinema

O cineasta foi mais um roteirista sofisticado do que um hábil manipulador da técnica do cinema

Na minha cabeça, cinema está sempre relacionado com palavra. Imagem = roteiro. E, contrariado o dito popular, um bom roteiro na minha lógica sempre me disse mais do que uma imagem, se é que me entendem. Daí o fato de admirar muito os diretores que escrevem suas próprias histórias. Billy Wilder, John Huston, Woody Allen, Glauber Rocha são alguns deles. Joseph L. Mankiewicz também.

Filho de professores acadêmicos, desde cedo Joseph L. Mankiewicz teve sua vida relacionada com a escrita e o teatro. Mas para desespero dos pais, seguindo a carreira do irmão mais velho, Herman, foi sair lá em Hollywood e deu no que deu. Herman Mankiewicz entraria para história como o co-roteirista do clássico Cidadão Kane – dizem as más línguas também que as melhores ideias era dele e não de Orson Welles – Joseph como diretor e roteiristas de pérolas como A malvada (1950), A condessa descalça (1954) e Jogo mortal (1972), uma delícia de engenharia narrativa.

Mais um roteirista sofisticado e mordaz do que hábil manipulador da técnica cinematográfica, para o crítico francês Michel Ciment, que o entrevistou algumas vezes, Joseph L. Mankiewicz era o mais inteligente dos diretores. Para mim, o mais preciso no que diz respeito à sordidez humana e, seus personagens – os mais cínicos, claro – uma espécie de alter ego de seu jeito de ser na vida real. Ou seja, franco nas opiniões, cortante no raciocínio e brilhantes nas tiradas.

“Eu escreverei minhas memórias depois de minha morte”, disse certa vez, tirando sarro sobre a vaidade.

Top Five – Joseph L. MankiewiczA condessa descalça

A malvada (1950) – Com trama ambientada no teatro, espaço onde o diretor sempre se sentiu bem, traz enredo cheio de reviravoltas e surpresas, com a história de Eve Harrington (Anne Baxter), uma ambiciosa atriz que se apropria não apenas do lugar de destaque no palco da diva Margo Channing (Bete Davis), mas também sua vida. Um contundente e cínico retrato sobre a inveja e ambição.

A condessa descalça (1954) – Os incríveis diálogos de Mankiewicz norteiam essa versão ácida do mito da Cinderela, com Ava Gardner no papel de uma atriz que não se deixa levar pelo sucesso e glamour, se sentindo bem mesmo na vida é descalça. Uma bela e singela metáfora para seu fetiche por amantes do povo. É o olhar crítico de Mankiewicz sob as mazelas da casa Hollywood.

Cleópatra (1963) – Um dos filmes mais caros do cinema traz a diva Elizabeth Taylor impecável e insubstituível no papel-título. Chamado às pressas para dirigir o épico, então com uma série de problemas logísticos e de roteiro, o diretor teve tanto problemas com os figurões da Fox que passou a odiar a produção. A ponto de se referir a ele apenas como “aquele filme”.

Júlio César (1953) – Produção simples traz versão direta e honesta do clássico texto de Shakespeare de 1599 com Marlon Brando em atuação surpreendente no papel de Marco Antônio. O ponto alto da trama está no que Mankiewicz tem de melhor, o roteiro, norteado pela força das palavras.

Jogo mortal (1972) – Especialistas em tramas teatrais e um ás na direção de atores, Mankiewicz apresenta aqui um suspense inteligente e cheio de mistérios, onde os caminhos do que é mentira e real são bastante tênue. Então um jovem ator, Michael Caine duela, de igual para igual, com o mestre Laurence Olivier.

* Este texto foi escrito ao som de: Cheek to cheek (Tony Bennett e Lady Gaga – 2014)

Tony Bennett e Lady Gaga

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