Gal 69

Junto com Elis Regina e Maria Bethânia, a baianinha é uma das minhas divas da MPB

Junto com Elis Regina e Maria Bethânia, a baianinha é uma das minhas divas da MPB

Ontem Gal Costa fez 69 anos, me alertou o amigo Pedrão, o meu cicerone musical, via redes sociais. E foi quando, num estalo, me lembrei que, junto com Elis Regina e Maria Bethânia, ela é uma das minhas divas da MPB. Sempre foi desde que escutei, extasiado, o formidável disco ao vivo, – Fa – tal – Gal a todo vapor, gravado em 1971, no Teatro Opinião. Mesmo assim, não tive coragem de ver o show dela, meses atrás, em Goiás Velho, durante o Festival de Cinema Ambiental da cidade. E só por que ela foi deselegante com uma amiga fofa minha no hall do hotel onde estava hospedada. Enfim, infantilidade minha já que perdi uma chance única. O que a gente não faz pelos amigos especiais, não é verdade? Deixa, inclusive, de ver um show da Gal Costa em Goiás Velho.

Mas como estava dizendo, Gal fatal entortou minha cabeça, desde que comprei o meu vinil num sebo daqueles que um dia vou morar na eternidade. Mas antes desse álbum formidável, a baianinha descolada gravou álbuns importantes, como me alertou e mostrou meu cicerone musical Pedrão.

Um deles é Gal Costa, gravado em 1968 e lançado no ano seguinte. Graças a ele, o amigo cicerone Pedrão, eu tenho o meu, em versão CD, na minha estante mágica. Primeiro solo da artista, o registro é um susto delicioso que destoa, completamente, de Domingo, disco que dividiu com Caetano Veloso em 1967 e trazia uma pegada meio bossa-novista com todos eles (“os novos baianos”), ainda sob a influência, o choque e o encantamento do genial João Gal CostaGilberto.

Com direção do mestre Rogério Drupat, Gal Costa é ousado e diferentemente tropicalista, trazendo a artista, sem medo de ser feliz, em vocais agressivos encorpados por “arranjos arrojados”, como mostra, por exemplo, a versão anárquica para Se você pensa, da dupla Roberto e Erasmo Carlos, o revolucionário hit Divino, Maravilhoso, assinado de Caetano e Gil, e o malemolente sucesso, Que pena, gravado com o sempre “brother”, Caetano Veloso. Mas a canção que, mesclando momento de vanguarda e sensibilidade, vocal agridoce de rebeldia em meu coração, me arrebatando, soberanamente, é Baby, aquela que fala de sorvete, estar na lanchonete, piscina, gasolina e Carolina, com o frescor de uma tarde sábado.

“Vivemos na melhor cidade da América do Sul”, diz ela, com uma certeza verdadeira e contagiante.

Como a capa anuncia, Gal, também de 1969, tem uma postura mais radical e psicodélica na trajetória da cantora. As influências são nitidamente roqueiras, vai de Jimi Hendrix a Janis Joplis, mas também passando pelo cinema anárquico do então jovem cineasta Rogério Sganzerla, à baderna pop brasileira do tropicalismo, perceptíveis na mixagem propositalmente suja. Para mim, os melhores registros desse álbum são das canções de Jorge Ben – da época em que ele se chamava assim, País tropical e a mística Tuareg.

Um disco para entrar na história, como entrou e agora. Estou tomando coragem para comprar agora aquele disco da calcinha.

* Este texto foi escrito ao som de: Gal Costa e Gal (1969)

Gal

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