Os amigos do rei Roberto Carlos

Roberto Carlos com Helena dos Santos, a doméstica que virou compositora do rei

Roberto com Helena dos Santos, a doméstica que virou compositora do rei

Não, não estou falando de Erasmo Carlos, o amigo de fé, irmão, camarada de tantas jornadas, principal parceiro de grandes sucessos do rei Roberto Carlos, mas de outros nomes importantes da música que o ajudaram com canções emblemáticas, algumas inesquecíveis em minha jukebox sentimental. Falo de nomes pouco conhecidos do grande público como Helena dos Santos, Rossini Pinto e Getúlio Côrtes, compositores de obras-primas obscuras, entre tantas outras pérolas gravadas pela nossa majestade da música.

Alguns desses compositores, empolgados com as composições que tocavam na voz de Roberto nas rádios, até tentaram seguir carreira solo, mas não decolaram. Contudo, os três artistas têm histórias de vidas profissionais e pessoais, marcantes. Talvez a mais impressionante delas seja da mineira Helena dos Santos, uma ex-empregada doméstica e costureira que aprendeu a escrever canções e despertou atenção de Roberto Carlos ainda no início de sua trajetória, lá atrás, nos idos de 1963.

Os dois se conheceram nessa época, durante uma das peregrinações de Helena dos Santos à Rádio Nacional para tentar emplacar uma de suas canções que acabara de fazer, o rock ingênuo, Na lua não há. Roberto Carlos gostou da música, mais ainda da autora, gravando-a em seu disco Splish splash, iniciando aí amizade de uma vida inteira. Tanto que se acredita que Helena dos Santos viraria uma das confidentes de vossa alteza.

Getúlio CôrtesBem, de 1963 a 1972, Helena dos Santos registraria nos discos de Roberto Carlos dez composições, três delas escritas em parceria com Edson Ribeiro. As que mais tocam em minha jukebox sentimental é a balada psicodélica Nem mesmo você, registrada no álbum de 1968, O inimitável Roberto Carlos, e O astronauta, gravada no disco do rei de 1970.

Curioso essa participação de Helena dos Santos em dois registros de transição na carreira do artista, já que o disco de 1968 foi o primeiro gravado por Roberto Carlos depois de deixar o programa Jovem Guarda, rompendo com o movimento musical, e o segundo, apontando drásticas mudanças no estilo do cantor, apostando em canções mais melodiosas, românticas e com inclinações religiosas.

Um dos mais importantes nomes da Jovem Guarda, o capixaba Rossini Pinto foi determinante na carreira de grandes astros do movimento, não apenas como compositor, mas também como produtor musical. Para o rei Roberto Carlos gravou desde sucessos despretensiosos como Um leão está solto nas ruas, de 1964, à balada melancólica, Só vou gostar de quem gosta de mim, um dos grandes sucessos do disco Roberto Carlos em ritmo de aventura.

Já o carioca Getúlio Côrtes é dos três nomes o que mais me sensibiliza com suas canções. Irmão do cantor Gerson King Combo, um dos ícones da soul music brasileira, o compositor acompanhou Roberto da Jovem Guarda até início dos anos 70, emplacando canções divertidas como Noite de terror, O feio, Pega ladrão, O gênio e os grandes sucessos, Negro gato e O sósia, à baladas intimistas como Atitudes, de 1973, e Uma palavra amiga, segunda faixa do disco de Robertão de 1970 que não sai do toca fita do meu carro.

“Não vou sofrer porque não faz sentido/Nem vou viver por aí perdido, chorando/Sempre pela vida chorando/Eu quero ouvir uma palavra amiga/Preciso ouvir antes que eu siga chamando/Sempre por seu nome gritando”, diz o refrão pungente.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos (1970)

Roberto_Carlos_1970

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