47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Vivi emocionantes histórias com a turma do filme 'Lavoura arcaica' no  Festival de Brasília

Vivi emocionantes histórias com a turma do filme ‘Lavoura arcaica’ no Festival de Brasília

Se não me engano, lá se vão mais de 10 anos de cobertura do evento, o mais importante do cinema brasileiro do país, o mais tradicional e o mais antigo. Ah, sim, também o mais polêmico, político e marcante. E realizado bem aqui, na minha cidade, aquela que escolhi para viver, se não engano, há mais de dez anos. Que lembranças eu tenho do encontro de lá para cá? Muitas.

Quando comecei a frequentar a mostra era um mero estudante de jornalismo que sonhava um dia escrever sobre os filmes que via ali na telona do cinema mais charmoso do país. E um dia, como que num passe de mágica, lá estava eu escrevendo sobre os filmes que via ali, na tela mais charmosa do cinema brasileiro.

De Desmundo (2003), de Alain Fresnot, a Amarelo manga (2006), do polêmico Cláudio Assis, passando por obras memoráveis como Lavoura arcaica (2001), da esfinge Luiz Fernando Carvalho, ao último suspiro de Rogério Sganzerla nas telas do cinema nacional, O signo do caos (2003), tudo eu vi. Não me esqueço da figura frágil de Sganzerla no meio da sala do Cine Brasília, cercado pela mulher Helena Ignez e as filhas ninfas.

Assim como não me esqueço da entrevista que fiz com o Luiz Fernando Carvalho na ocasiãoFestival de brasília da exibição de Lavoura arcaica no festival. Quando eu fazia as perguntas, ele escutava atentamente e, ao respondê-la, fechava os olhos como se estivesse em transe. Na hora achei super estranho, mas depois vi que era a coisa mais intimista e surreal que tive oportunidade de presenciar ao entrevistar alguém.

Certa vez, bêbado, trôpego, dancei não sei o quê exatamente com a musa Simone Spoladore, pisando em seus pés na frente de uma plateia atônica. E isso porque antes, eu havia conseguido que ela autografasse o livro de Samuel Beckett, Esperando Godot, que ela gostava muito. Ela é uma fofa de delicadeza.

E por falar em bêbado, lembro como se fosse hoje o dia em que vi o Cláudio Assis tão tonto pelos corredores do Hotel Nacional, que andava arrastado pelas paredes do lugar para não cair. Quando vi a cena, senti, corri para não ver e acreditar no que acabava de ver, com um misto de sentimento de pena e vergonha alheia, também um pouco de espelho da realidade bem ali, diante de mim. Acho que tenho que parar de beber.

Sempre foram emocionantes os encontros com Dona Lúcia, mãe de Glauber Rocha, uma figura firme, forte e lúcida. Era lindo ouvi-la falar de Glauber, uma perda que claro, ela nunca superou. Quando Ruy Guerra veio divulgar seu filme O veneno da madrugada, me fez esperar bem uns quarenta minutos no saguão do Hotel Nacional, só para ele, que tinha acabado de chegar de viagem, fumar um daqueles charutos fedidos que ele anda para cima e para baixo. Mas valeu apenas a demora, foi uma das minhas melhores entrevistas.

Espero que este ano eu possa vivenciar outras boas histórias assim no Festival De Brasília.

* Este texto foi escrito ao som de: Crosby, Stills & Nash (1969)

CS&N

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