Magia ao luar (2014)

Woody Allen entre Emma Stone e Colin Firth...

Woody Allen entre Emma Stone e Colin Firth, nas gravações de ‘Magia ao luar’

Quase beirando os 80, Woody Allen não tem mais o vigor do auge da carreira, claro, mas, sem medo de ser feliz e recorrer a um daqueles clichês hediondos vagabundos, seus filmes ainda estão acima da média. Em cartaz na cidade, Magia ao luar não encanta, mas diverte e graças a algo que o diretor tem de sobra, um bom texto para contar suas histórias.

Aqui ele faz bem ao seu estilo divertido e cáustico, uma reflexão sobre a linha tênue entre charlatanismo e fé na história de Sophie (Emma Stone), uma jovem do interior de uma cidade norte-americana com nome estranho que se passa por médium para arrancar grana de ricaços ingênuos. Acontece que chegou na área, Stanley (Colin Firth), um dublê de mágico conhecido por desmascarar falsários. Um cético empedernido, arrogante e com ego inflacionado, no começo ele se empenha em desmascarar a garota, mas no meio do caminho se encanta pela beleza de ninfa de sua vítima.

Bem simples, Magia ao luar é uma comédia romântica em que o diretor apenas brinca com algumas de suas obsessões clássicas de forma leve e descontraídas. Está lá a trilha jazzística sofisticada, a elegia a um passado cheio de glamour – aqui evocando o clássico da literatura O grande Gatsby, de Scott Fitzgerald um dos heróis de Woody Allen -, as divertidas e exemplares referências literárias que aqui, de forma bem leve resvala no pensamento denso do alemão Nietzsche. “Aquilo que não nos mata nos torna mais forte”, diz o personagem de Colin Firth que logo é contestado por sua tia espirituosa vivido pela ótima Eileen Atkins. “Não, aquilo que não nos mata nos deixa bem machucado”, diz ela, numa espécie de alter ego do diretor.Magia ao luar 2

Para quem não sabe, um dos sonhos de criança de Woody Allen era ser mágico e ele chegou a praticar na área, mas não deu certo porque o cinema falou mais forte em sua vida. No entanto, volta e meia ele permeia suas tramas e personagens com esse universo, como mostrou, entre outros títulos, o impagável, O escorpião de Jade (2001).

Em Magia ao luar, tal premissa se materializa a partir da figura do esnobe, mas galante de Stanley (Colin Firth) que, apesar de amador, sabe fazer com desenvoltura seus truques e essa fragilidade entre o que é real ou ilusão, crendice e ciência, verdade e mentira é o que norteia a história.

E nesse aspecto, uma cena em particular do filme é bem sintomática. É quando num momento de dúvida, angústia e medo nosso herói gauche se vê na necessidade de buscar não deus, mas uma urgência metafísica e lá está ele metido em orações fakes. Como se vê, nem todo mundo tem vocação para o espiritual.

A propósito, Emma Stone é uma das musas mais francas que Woody Allen já recrutou.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos (1973)

RC 1973

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