Um rei em minha vida

Assim como o Mário Quintana o rei tem o dom de falar de coisas complexas de maneira simples

Assim como o Mário Quintana o rei tem o dom de falar de coisas complexas de maneira simples

Caros, preciso confessar uma coisa para vocês assim, de mãe para filho caçula. De uns tempos para cá ando, perdidamente, loucamente envolvido com as canções do Roberto Carlos. Mas de uma maneira tão forte, tão íntima e intrínseca que não durmo ou acordo mais sem uma canção do rei na cabeça. E porque essa obsessão de adolescência de repente? Por que descobri que o cara, assim como o poeta Mário Quintana, tem o dom, a sabedoria, o talento de falar de coisas complexas de maneira tão simples. Os temas? Os mais variados, do amor perdido, platônico e não correspondido à saudade de casa. Da dura vida na estrada às contundentes reflexões metafísicas. Dos conflitos de gerações ao amor de prostituta. Da epifania pacifista à amizade fraterna. Enfim, tem de tudo para todos os gostos.

E daí tem aquela voz marcante, única, só dele que, mesmo que uma canção cantada pelo rei não seja tão imponente, inesquecível como a de outro intérprete para suas canções ou de outros compositores, vamos sempre lembrar das suas versões. E por quê? Ora bolas, por que, acima de tudo, ele é a nossa Majestade o rei Roberto Carlos e suas canções que escreveu para a gente. Simples assim. A seguir, o top five dos cinco discos do Robertão que levaria para Lua, Marte ou o quinto dos infernos.

Roberto Carlos 1974Roberto Carlos (1974) – Com seu visual de ovelha, Roberto Carlos aqui nos apresenta um leque de composições escritas ao lado do parceiro Erasmo Carlos, mas também interpretações singulares como revela a enigmática Resumo. Deleite-se com pérolas como, Despedida, O portão, Eu quero apenas e a grudenta, É preciso saber viver. Benito di Paula nos brinda com a evocativa, Quero ver você de perto.

Roberto Carlos (1972) – Talvez aqui a versatilidade da dupla, Roberto e Erasmo na exploração de temas diversos, fica mais evidente em canções emblemáticas como À janela, Você é linda, a divertida, Quando as crianças saírem de férias e A montanha.

O inimitável Roberto Carlos (1968) – Já começando a se desprender da fase alegre e inocente da Jovem Guarda, traz canções mais reflexivas acerca da vida e das relações afetivas. Além de compor lindos registros, o rei, sabe escolher e interpretar como emoção ímpar músicas de outros artistas. Eu não vou deixar você mais tão só, de Antônio Marcos, é uma delas.

Roberto Carlos (1969) – Eu diria que, junto com o trabalho seguinte, de 1970, é quase um disco de transição para o que viria a ser sua fase mais romântica da carreira. A capa intimista aponta para isso e canções soberbas como As flores do jardim da nossa casa e As curvas da estrada de Santos. O ponto alto é a dançante Não vou ficar, de Tim Maia. Além de tudo, Robertão era um cara antenado e atento às novidades sonoras que o cercavam.

Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967) – Foi o primeiro disco do artista que escutei e, apesar do clima de inocência juvenil dos filmes dos Beatles, nos brinda com bons momentos como Por isso corro demais, Como é grande o meu amor por você, a épica Quando e Folhas de outono, numa interpretação comovente e singela.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos (1967 – 1972)

Roberto_Carlos_1969

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s