Diretores – Jorge Furtado

Definitivamente um homem da renascença no cinema brasileiro

Definitivamente um homem da renascença no cinema brasileiro

O cineasta Gaúcho Jorge Furtado é o que podemos chamar de um homem da renascença. Culto, curioso, criativo e inquieto, tem uma paixão contagiante pela busca do conhecimento e talvez essa hiperatividade o tenha levado a tentar várias profissões antes de resolver ser cineasta. Depois de passar pela psicanálise, estudar a fundo artes plásticas, finalmente largou a medicina para ser jornalista, mas trocaria as entrevistas pelo registro das câmeras. O resultado dessa experiência audiovisual se materializa em uma filmografia curta, mas marcada pela originalidade e questionamento ácido da sociedade que o cerca a partir dos vários temas que já abordou.

Assim como algumas das pessoas que vão ler esse post, ouvi falar de seu nome pela primeira vez ao ver o cultuado curta Ilha das flores, um clássico do cinema, numa sala de aula no 2º grau, graças à sensibilidade social de uma professora que agora não me recordo o nome. De lá para cá, não paro de me surpreender com as histórias do diretor que é um dos mais expressivos do cinema brasileiro em atividade.

O estilo didático com que norteia suas histórias é uma das marcas registradas de Jorge Furtado, que tem a preocupação, mesmo fazendo ficção, de ser bem claro aos seus espectadores. O humor ácido, outra característica. Versátil, realiza também trabalhos para televisão onde, sem deixar que sua criativa intelectual seja vilipendiada pelo modelo burro desse segmento, tem realizado trabalhos expressivos como roteirista. Também é co-autor de roteiros de sucessos no cinema como Lisbela e o prisioneiro (2003) e O coronel e o lobisomem (2005).

Como eu disse Jorge Furtado o homem da renascença do audiovisual brasileiro.

O homem que copiavaTop Five – Jorge Furtado

Ilha das flores (1989) – O filme marcou uma geração de secundaristas com sua abordagem cínica sobre os pecados da economia em nossas vidas. Depois de ver a fita muita gente, com certeza, pelo menos por alguns minutos, vai refletir sobre os malefícios do ato de consumo. Não é à toa que em que 1995 o curta foi eleito pela crítica européia como um dos 100 mais importantes curtas-metragens do século.

O mercado de notícias (2014) – De maneira simples e despretensiosa o diretor cria aqui, a partir de depoimentos de grandes jornalistas brasileiros, um surpreendente e contundente panorama histórico e social do jornalismo no Brasil, nesse momento de transformação que o segmento está passando com a influência das redes sociais.

O homem que copiava (2003) – Foi o filme que o diretor se fez conhecido em todo o Brasil num raro caso em que atores globais dão vida a uma história inteligente no cinema.

Houve uma vez dois verões (2002) – Estreia de Furtado na direção de longas, o filme é uma agridoce história de adolescentes recheado por trilha sonora empolgante. Posso estar enganado, mas acho que há um toque biográfico nessa trama.

Saneamento básico – O filme (2007) – Mesmo quando realiza uma comédia leve como essa, o diretor Jorge Furtado consegue sobressair acima da média por tem um texto formidável, sobretudo quando traz nas entrelinhas crítica política e social com graça.

* Este texto foi escrito ao som de: Plato Divorak & exciters (2007)

Plato 2

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