A mise-en-scène do ridículo

Eis um adesivo relacionado a política que  teria coragem de pregar em meu carro...

Eis um adesivo relacionado à política que teria coragem de pregar em meu carro…

Sabe o que me dá preguiça de morrer? É desse povo que fica enfeitando os carros com propaganda política como se fosse adereço de escola de samba. Na verdade é um bando de pelego que gosta de ser passado para trás por gente safada que sabemos que não querem nada com nada. Sempre foi assim. É uma situação cíclica e atávica e mesmo assim nunca apreendemos. Todo ano de política é essa mise-en-scène, ou seja, essa encenação do ridículo e o povo, como gado puxado pelo chifre, pelo nariz com argola, cai que nem patinho. A mim ninguém engana mais. Nunca enganou.

Para falar a verdade, nunca preguei um adesivo de político em meu carro e nunca vou pregar. Não é o meu estilo fazer papel de bobo para essa galera que só se lembra da gente na época de eleição. Aliás, de que inferno sai tanta gente que nunca vimos na vida para pedir o nosso voto? E cada figura bisonha, medonha e bizarra.

E essa prática é mais comum no interior, onde as pessoas são mais humildes e simples e se deixam levar por qualquer diabo disfarçado de bom samaritano. Mas no fundo sabemos que são pessoas simples e humildes interesseiras que acham que vão conseguir algo fácil pregando adesivos coloridos nos carros.

Eleições 2014 2Lembro nos meus tempos de criança que meus tios viviam fazendo isso em troca de combustível. Pegava gente de outras cidades para ganhar gasolina em troca de voto. Não sei como se resolvia isso com relação ao título, mas lembro que era assim que ele fazia. Uma patuscada e tanto. Na época achava tudo ridículo, mas hoje sinto vergonha alheia.

E por falar em vergonha alheia. Que pena tenho desses babacas fanáticos que ficam defendendo, puxando saco dos políticos nas eleições, aparecendo como papagaio nas entrevistas e cômicos, puxando aplauso de discursos vazios. Eternos robôs do coronelismo, pelegos ignaros.

Conheço uma baixinha de olhos de fundo de garrafa que me faz lembrar aquele personagem do Nelson Rodrigues que não pode ver um tamborete, uma caixa de querosene que sobe em cima para defender suas ideias, suas opiniões e pontos de vista radicais. Tudo bem, nós vivemos numa democracia e todo mundo tem direito de falar e apoiar quem quiser, mas cegueira ideológica tem limite. Coitada, ela parou no tempo, ainda acredita que a ditadura não acabou no país, que o muro de Berlim ainda está de pé e que o comunismo é a solução mundial. Pior, ela acha que o PT é o partido do país.

Pois bem, todo mundo sabe, só não enxerga quem não quer, mas esse ano a política no Brasil não está fácil para ninguém porque os candidatos em todas as categorias estão abaixo da média. Dilma representa o mais do mesmo. Marina seria uma viagem de terror e caos à Idade Média e Aécio Neves transformaria o Brasil num parque de diversões da cracolândia.

Sem falar que em Brasília a situação beira a um programa dos trapalhões, com ladrão concorrendo a uma vaga no Buriti com o apoio de 40% da população e os outros candidatos tão fracos que não teriam cacife para concorrer a uma vaga ao grêmio estudantil, nem mesmo para síndico.

Este ano o meu voto não vai ser de ninguém. Alguém aí tem uma passagem sobrando para Marte?

* Este texto foi escrito ao som de: Plebe Rude Brasília (2012)

Plebe rude brasília

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