Luzes da ribalta (1952)

Melancólico, o filme, estreia de Geraldine Chaplin nas telas, fala sobre o terceiro ato da vida

Melancólico, o filme, estreia de Geraldine Chaplin nas telas, fala sobre o terceiro ato da vida

Ainda pegando carona no sucesso e frenesi em torno da passagem de Geraldine Chaplin pela capital do país, durante o Festival Internacional de Cinema de Brasília (BIFF), faço aqui três ou quatro comentários sobre uma das obras-primas de seu pai, Luzes da ribalta, exibido na abertura do evento na última quinta-feira (28), com a presença da filha na plateia do Cine Brasília. Bem, amigos, eu estava lá e diria que foi um momento mágico.

Dirigido em 1952, o filme marca a estreia da atriz no cinema com apenas nove anos de idade. A participação dela é mínima, pouco mais de cinco minutos e a única lembrança que ela tem desse dia é que não precisou ir à escola. No entanto, trata-se de uma das obras mais marcantes de Chaplin e também uma das mais tristes.

Bom, todo bom diretor que se presa tem o seu filme-metalinguagem realizado e este foi o do genial Charlie Chaplin. Na fita, mais uma vez o artista escreve, atua e dirigi a si mesmo na melancólica e dramática história de Calvero, um palhaço decadente e bêbado que tem sua vida mudada drasticamente quando impede o suicídio da jovem Terry (Claire Bloom). No passado ele viveu dias de glória e sucesso, mas agora amarga dias de esquecimento em mirrados trabalhos como coadjuvante. A chegada inesperada da jovem problemática, por algum momento, acaba sendo um alento em seus últimos dias.

Como grande admirador desse mestre único que foi Charlie Chaplin, mas do que natural que eu tenha quase todos os Luzes da cidade 3seus principais filmes em casa, mas é claro que ver uma fita desse mago da sétima arte, na tela do Cine Brasília, tempo do cinema no coração do Brasil, foi realmente mágico. E com a Geraldine Chaplin bem ali, revendo esse grande filme junto com uma plateia encantada não apenas com os trabalhos do pai, mas com a presença de uma herdeira ali. “Esse filme foi realizado num momento difícil na vida do meu pai, que estava enfrentado problemas com a justiça nos Estados Unidos”, disse Geraldine em coletiva realizada com a imprensa na última sexta-feira (29), na sala 4 do Liberty Mall. “Tem como tema o terceiro ato de nossas vidas”, emendou.

E de fato é. Com seu estilo melodramático de contar histórias, Chaplin traz à tona um temor que marca a vida de todos os grandes artistas, grandes ou não: o esquecimento na velhice. Calvero ama o que faz, ama estar no palco, ama o carinho e as palmas do público e se ver privado desses prazeres essenciais à sua existência o faz mergulhar fundo na bebida.

Mas mesmo passando por esses dias de agrura, esbanjando generosidade e altruísmo, Calvero faz tudo para ajudar a jovem e talentosa bailarina Terry conseguir um lugar ao sol. “Eu conheço um violinista que toca com os pés. Pollyana não teria feito melhor”, diz ele num dos espasmos de otimismo que era uma das marcas registradas de Chaplin na vida real.

Em gratidão a esse gesto de confiança vindo do nada, ela acaba se apaixonando por ele, um sentimento que ele entende como comiseração.

Excessivamente dramático e melancólico, Luzes da ribalta – há quem diga que seja sobre seu pai -, nos reserva alguns momentos encantadores. Um deles é a dobradinha que faz com outro monstro sagrado do cinema, Buster Keaton, com Chaplin me fazendo chorar de rir, no escuro do Cine Brasília, no esquete do palhaço desengonçadamente perneta. Outro na arrepiante cena final que deixo para os leitores descobrirem e se encantarem com o lirismo trágico de nosso herói.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967)

Roberto Carlos aventura

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