Diretores – Roberto Rossellini

Escândalo: Ingrid trocando o glamour de Hollywood pela Itália do cineasta amante

Escândalo: Ingrid trocando o glamour de Hollywood pela Itália do cineasta amante

A forma crua, sincera e direta de se fazer cinema do neo-italiano foi imprescindível para o surgimento do Cinema Novo no Brasil nos anos 60 e, a figura charmosa e elegante de Roberto Rossellini, mais do que fundamental para cimentar essa importância entre os novos cineastas brasileiros que estavam surgindo no momento. Como era gostoso de ver e ouvir a voz forte de Glauber Rocha falando o nome de Roberto Rossellini naqueles tempos de faculdade. “Desde Roma, cidade aberta, os filmes de Rossellini propunha um cinema humanista como aquele que imaginávamos fazer, um cinema em que não se maquiava a realidade como estávamos acostumados a ver na produção norte-americana”, escreve o cineasta Cacá Diegues em sua autobiografia, Vida de cinema, lançada recentemente.

Mas a capilaridade da influência do diretor italiano não se restringiu apenas à iniciante cinematografia nacional. Com o seu seminal Roma, cidade aberta, para muitos especialistas um dos dez maiores filmes da história do cinema, Rossellini sem saber, deu régua e compasso para toda uma geração de diretores no mundo todo naquela época. De repente, estava na moda ser admirador do neo-realismo. Sem Rossellini, a nouvelle vague também não existiria. “Se as imagens estão aí no mundo à nossa disposição, por que manipulá-las para fazer um filme?”, ensinava o mestre.

Mais tarde, no terceiro ato da vida, o diretor italiano, num sopro de renovação, revelou suas ideias sobre as relações entre cinema e televisão, mídia onde realizaria seus últimos trabalhos. No entanto, como numa romântica história de cinema, nada foi mais emocionante do que o romance do diretor com a diva sueca Ingrid Bergman, um escândalo para época.

Roma cidade abertaTop Five – Roberto Rossellini

Roma, cidade aberta (1945) – Um marco do cinema, o filme nasceu dos escombros da 2ª Guerra Mundial, quando não se tinha quase nenhum recurso para fazer arte na Itália. Substituindo as ruas pelos estúdios, o cineasta revolucionaria a narrativa clássica com um toque especial entre o estilo documental e o despojamento naturalista das atuações.

Stromboli (1949) – Em seu primeiro filme com o amante Rossellini, a bela Ingrid vive aqui uma jovem refugiada lituana que vai morar à beira de um vulcão numa ilha italiana. O cenário exótico imprime uma realidade quase fantasiosa para falar de uma relação marcada pelas diferenças.

Viagem à Itália (1953) – Mais uma vez o diretor questiona os conflitos da vivência a dois nesse drama pungente estrelado pela mulher Ingrid Bergman e o inglês George Sanders. Icônica e simbólica a metáfora dessa conturbada relação na clássica cena em que o casal caminha pelas ruínas antigas de uma civilização.

Paisà (1946) – Posso estar enganado, mas talvez Gillo Pontecorvo tenha se inspirado em algumas cenas desse filme de episódio para fazer o contundente A batalha de Argel. Humanista, Paisà traz histórias de amor, amizade, lealdade e às vezes de terror, entre o povo italiano com os soldados estrangeiros.

Nós, as mulheres (1952) – Filme de episódios dirigidos por grandes mestres italianos, Rossellini se destaca aqui ao dirigir a esposa Ingrid Bergman na bizarra história de um frango e um jardim de rosas.

* Este texto foi escrito ao som de: White album (The Beatles – 1968)

White album

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