O casamento de May (2013)

Nesse filme jordaniano, três irmãs dividem conflitos morais entre dois mundos...

Nesse filme jordaniano, três irmãs dividem conflitos morais entre dois mundos…

Eu vi essa fita no Liberty Mall antes de começar o BIFF e, se depois que acabar o evento ela voltar ao espaço, assista. É no mínimo divertida. Dirigido, escrito e protagonizado pela bela Cherien Dabis, artista norte-americana filha de pai palestino e mãe jordaniana, o filme, ao contrário do que se possa imaginar, não é apenas sobre os maçantes conflitos árabes na região. Também, mas a questão surge na trama como tema secundário, envolto aos dramas da personagem-título, que não sabe se casa ou se segue a vida livre, leve e solta. Daí o título sugestivo e irônico. Irônico porque o desfecho é surpreendente.

Escritora de sucesso, May retorna de uma temporada dos Estados Unidos ao ceio da família na Jordânia. Daqui a algumas semanas o noivo chegará para a cerimônia de casamento, mas a receptividade em torno do evento não é uma unanimidade entre os familiares. E por um motivo muito simples: May é uma palestina de origem cristã, e o futuro marido mulçumano. Pronto, está armado o racha com a mãe uma seguidora de Cristo relutante contra a união.

“Não conte comigo para o casamento”, avisa.

MayEnquanto esse conflito de opiniões religiosas se desenrola, May ainda tem que lidar com suas dúvidas com relação ao sentimento que sente pelo homem com que vive. Afinal, ela ama ou não ama o noivo?

Angustiadas, elas dividem suas tensões e conflitos com outras duas irmãs de personalidades e estilos de vida diferentes, dando vazão à trama, sem forma a barra, a um olhar feminino e feminista. Filhas de pai americano (Bill Pullman) e mãe palestina, o tempo todo elas confrontam as ansiedades, hesitações e temores que a angustiam sempre sob o prisma de dois mundos. Dois mundos divididos pela separação dos pais que ainda se amam, mas não se entendem.

A paisagem árida, seca e branca tão peculiar dos filmes árabes está lá. O drama de se viver numa região marcada por conflitos religiosos seculares também, mas mostrado de forma sutil, como na passagem em que, na praia de um clube, a beira do mítico Mar Morto, elas olham para horizonte e refletem: “Ali do outro lado é a Palestina. Nem dá para imaginar que eles estão em guerra”, diz uma delas. “E a gente aqui preocupada com futilidades”, emenda a outra.

O legal de O casamento de May é a abordagem universal dada pela diretora Cherien Dabis aos problemas que a cercam, seja de caráter pessoal ou político-social. Assim, tirando uma cena ou outra, como a de May fazendo jogging pelas ruas de Amã, diante de olhares masculinos impiedosos, nem parece que estamos diante de um filme realizado no Oriente Médio, mas em qualquer parte do mundo. Ah, sim, e como é belo o deserto filmado aqui.

* Este texto foi escrito ao som de: O descobrimento do Brasil (Legião Urbana – 1993)

5.1.2

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2 comentários sobre “O casamento de May (2013)

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