Quanto mais quente melhor (1959)

A deliciosa Marilyn Monroe com as meninas Jack Lemmon e Tony Curtis (esq.)

A deliciosa Marilyn Monroe com as meninas Jack Lemmon e Tony Curtis (esq.)

Até hoje essa belezura do cinema é eleita uma das melhores comédias de todos os tempos. Se não for a melhor. E quem assiste sabe a razão. Dirigido pelo genial, formidável Billy Wilder, a fita marca o auge da parceria entre o cineasta e o roteirista de origem romena, I. A. Diamond. Juntos, a dupla escreveu alguns dos clássicos do cinema norte-americano nos anos 50. Este é um deles que você pode conferir hoje, às 19h30, nos cinemas da rede Cinemark, graças ao projeto, Clássicos Cinemark. Mas veja bem, é só hoje. Eu é que sou um escravo do trabalho, do contrário já estaria lá.

O enredo, mirabolante, é uma homenagem do velho Billy aos filmes de gangsters dos anos 30. Na trama que se passa em Chigago, no ano do crash da bolsa de valores no país, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) são músicos desempregados desesperados por um trampo. Um dia, para piorar as coisas, eles presenciam o massacre do Dia de São Valentim, onde duas gangues rivais se enfrentam e para fugir, pegam o primeiro trem que encontram pela frente.

Num dos vagões da locomotiva, eles conseguem empregos como músicos numa banda de jazz, isso porque ocupam as duas vagas existentes para moças. Isso mesmo, para ganhar a vida, a dupla, Tony Curtis e Jack Lemmon, se veste de mulher para satisfazer um dos fetiches malucos de Billy Wilder. E não é que o diretor tinha acertado mais uma vez!

Mestre em criar situações mirabolantes e engraçadas, muito delas formidáveis gags visuais e com diálogos inteligentes, Billy Wilder brinda o público aqui com algumas das cenas mais antológicas do cinema. Uma delas é quando a suculenta Marilyn Monroe balança seu traseiro delicioso, tocando um ukelelê, diante dos dois marmanjos fantasiados de belas ladies. Outra é ver o vapor da locomotiva flertar de forma maliciosa, com as cursas da musa enquanto ela passa andando de forma lasciva.quantomaisquentemelhor

Mas nenhum delas mais antológica do que a sequência final do filme em que, Joe E. Brown, sedento de desejo por Jack Lemmon, quem ele pensa que é mulher, nem se abala diante do fato dele ter barbas e outras coisas mais escondidas por aí:

– Ninguém é perfeito! – desconversa.

Alguns países caretas, entre eles o Portugal Salazarista, baniram durante anos o filme de suas cinematecas e cinemas por conta da velada alusão homossexual aqui, mas quem saiu no prejuízo foram eles, por não sabem o que perderam.

Bem, reza a lenda que Billy Wilder não teria escolhido Marilyn Monroe de supetão para viver a caliente Sugar Kane, mas uma tal de (quem?) Mitzi Gaynor. Mas teria errado feio mesmo se tivesse optado por Frank Sinatra, e não Jack Lemmon, para papel do desengonçado Jerry. Um dos atores que mais gosto, Lemmon está perfeito na parceria com o canastrão Tony Curtis. Os dois estão perfeitos juntos do começo ao fim.

No auge da carreira, já uma estrela consagrada que havia trabalhado com o diretor Billy Wilder em O pecado mora ao lado (1957), Marilyn Monroe sugeriu que o filme fosse rodado em cores. Safo em lidar com estrelas, Wilder a demoveu da ideia com uma desculpa esfarrapada, mas que deu certo, talvez confiante na piada dele de que ela teria um cérebro mais furado do que um queijo suíço. O mestre argumentou que era mais sensato filmar em preto e branco para que a maquiagem usada por Jack Lemmon e Tony Curtis para esconder a barba, não aparecesse esverdeada, o que aconteceria se a fita fosse feita em cores.

Velhas e divertidas histórias do cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: Blue train (John Coltrane – 1957)

Blue train

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