Diretores – Vittorio De Sica

Cena do clássico filme de De Sica, com o pequeno chorão Staiola como coadjuvante impecável

Cena do clássico filme de De Sica, com o pequeno chorão Staiola como coadjuvante impecável

Reza a lenda que, Vittorio De Sica, um dos pioneiros do neo-realismo italiano, usou de um estratagema nada usual para fazer o pequeno Enzo Staiola chorar numa das cenas mais comoventes do cinema. Como o diretor não estava conseguindo obter, emocionalmente, o resultado que queria, escondeu seus cigarros no bolso do casaco do pequeno ator, o acusando de tê-los roubado. O desespero foi tão grande que o menino ficou aos prantos na imortalizada cena de Ladrões de bicicleta (1948).

Uma passagem bem ao estilo desse grande nome do cinema, De Sica foi também um autêntico homem da sétima arte. Além de diretor, exibiu seu talento como ator em dezenas de fitas, além de roteirizar histórias marcantes e produzir grandes filmes italianos. Fora isso, tinha um charme cativante e carisma contagiante, fazendo sucesso entre as mulheres e amigos, sobretudo entre o primeiro grupo.

Posso estar enganado, mas das poucas imagens que vi dele na intimidade, me pareceu que seu estilo no dia-a-dia era meio fanfarrão, do tipo que falava alto, com gargalhadas estridentes a la Roberto Benigni, mas menos patético e extravagante. Impressões…

Um tanto quanto melodrático, Vittorio foi responsável por da visibilidade ao cinema italiano no início dos anos 50 com uma série de dramas neo-realistas escritos junto com Cesare Zavattini, dos quais os vencedores do Oscar Vítimas da tormenta (1946) e Ladrões de bicicleta (1948).

Top Five – Vittorio De SicaUmberto D

Ladrões de bicicleta (1948) – Não é apenas um dos grandes filmes do cinema italiano, mas de todos os tempos, marcando o início do gênero neo-realismo nas telonas, que consistia em contar histórias simples de uma maneira bem realista e dramática. Na trama, um drama social pungente a partir da trajetória de Ricci, um desempregado que tem a bicicleta roubada logo no seu primeiro dia do emprego novo. Foi um dos primeiros filmes a abiscoitar o prêmio de Oscar Estrangeiro em Hollywood.

Umberto D (1951) – Melodramático, conta a história do personagem-título, um funcionário público aposentado que perambula com dificuldades pelas ruas de Roma com o cãozinho Flike, seu único amigo, depois de ser despejado da pensão onde vivia. O auge da parceria entre De Sica e o roteirista Cesare Zavattini (Ladrões de bicicletas), explora, bem ao estilo neo-realista, o drama da velhice. O protagonista Carlo Battisti era um lingüista que nunca tinha atuado na vida.

Vítimas da tormenta (1946) – Mais um dos filmes de De Sica e Cesare Zavattini norteados pelos amargos anos do pós-guerra, narra a trajetória de dois amigos engraxates que têm seus sonhos e esperanças aniquilados quando são levados para uma opressora instituição para menores.

Milagre em Milão (1950) – Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme narra em tom de fábula, as travessuras milagrosas de Totó (Francesco Golisano), um jovem órfão que, aos 18 anos, muda a vida de um grupo de sem-tetos que estão prestes a ser despejados por impiedoso empresário do ramo imobiliário.

Matrimônio à italiana (1964) – Protagonizado por Marcello Mastroianni e Sophia Loren, então dois dos grandes ícones do cinema italiano da época, a fita, baseada em peça dramática de Eduardo Di Filippo, ganhou aqui um clima de farsa nas mãos do mestre De Sica.

* Este texto foi escrito ao som de: Prism (Katy Perry – 2013)

Katy Perry

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