“Oh, my captain, my captain!”

Robin Williams na pele de um professor com nome de poeta

Robin Williams na pele de um professor com nome de poeta

Ao contrário do que muitos andaram falando por aí, Robin Williams não foi meu herói de infância. Não sou tão jovem assim. Mas como todo mundo que acompanhou a trajetória do ator e comediante, fiquei chocado com a notícia de sua morte, ainda mais do jeito como foi. Bem, mas não foi Nelson Rodrigues quem disse que, por algum motivo, deus amam os suicidas? Whatever… O que me deixa encabulado, com a pulga atrás da orelha, com um prego no cérebro, é a malícia, o paradoxo com que o destino às vezes age na vida das pessoas. É digno de tragédia cômica ou uma piada sem graça que um sujeito que passou boa parte da vida fazendo as pessoas rirem, tirar a vida assim de forma trágica. Um fim trágico para um palhaço triste. “Oh, my captain, my captain!”.

Sim, porque a depressão, assim como o câncer, é uma doença silenciosa que não escolhe rosto, pobre ou rico, quem é verde ou amarelo, poderoso ou um Zé Mané. Aliada a droga então vira uma mistura explosiva. A depressão pega de surpresa até mesmo quem, com uma alma cinza por dentro, esboça um falso sorriso de alegria por fora. Mas para quem, ao longo desses filmes todos, prestou atenção, teve sensibilidade, notou que Robin Williams era um palhaço triste, um ator com olhar de uma melancolia contundente. “Oh, my captain, my captain!”.

Não vou esquecer jamais, daquela sessão marcante, lá na minha terrinha, de Uma babá quase perfeita, bem ali no Cine Roxy, que depois, lamentavelmente virou uma igreja evangélica e agora é um restaurante popular. Só mesmo Robin Williams poderia encarnar com toque genial cômico Mrs. Doubtfire. O que um pai é capaz de fazer para ficar ao lado dos filhos e eu, que não sou pai, sem muito bem o que é isso. Mas Sociedade dos poetas mortos é o grande filme do ator, o que mais marcou gerações e despertou em mim o interesse pela poesia de Walt Whitman. “Oh, my captain, my captain!”.

 Top Five – Robin Williamsbom_dia_vietnam

Sociedade dos poetas mortos (1989) – Na fita Williams é um professor de literatura com nome de poeta que ajuda seus pupilos a enfrentar desafios na vida como intolerância, preconceito e amor às suas convicções. A cena clássica é quando ele incita seus alunos a subirem nas carteiras. De fazer chorar. “Oh, my captain, my captain!”.

Bom dia, Vietnã (1987) – Recheado de trilha sonora vibrante, ele vive aqui o radialista rebelde Adrian Cronauer, um sujeito sem papa na língua que desafia a hierarquia de uma estação no Vietnã e ainda se apaixona por uma bela nativa.

Uma babá quase perfeita (1993) – O amor condicional que ele sente pelos filhos o levar a fazer tudo, inclusive, se vestir de mulher, um dos melhores papéis cômicos do cinema nos últimos tempos.

Gênio indomável (1997) – A atuação segura na pele do analista Sean Maguire lhe rendeu um Oscar de ator coadjuvante num papel que é, digamos assim, primo-irmão do professor John Keating.

Popeye (1980) – Outro papel que só poderia ser vivido por Williams no cinema e o ator não decepcionou os fãs do marinho mais querido do planeta. Uma cortesia do mestre Robert Altman.

* Este texto foi escrito ao som de: Cabaret (2005)

Cabaret

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s