Diretores – Sofia Coppola

A diretora estilosa nos bastidores de "Maria Antonieta"

A diretora, toda graciosa, nos bastidores de “Maria Antonieta”, no Palácio de Versailles

Nascida em berço de ouro, uma autêntica sangue azul do cinema, Sofia Coppola, cujo sobrenome dispensa comentários, tinha tudo para ser uma daquelas artistas mimadas e insuportáveis de Hollywood. Não é. Desde que entrou para o clube em 1972, interpretando uma das filhas dos mafiosos de O poderoso Chefão, ela fez de tudo para provar o contrário. Conseguiu.

Aos 42 anos, ela, que já namorou o vocalista do Red Hot Chilli Peppers, Anthony Kiedis, e trocou alianças com o diretor Spike Jonze (Quero ser John Malkovich e Ela), carrega nas costas uma curta filmografia nas costas, mas todos os cinco títulos de uma expressividade sem igual. Dosando crítica, ironia e sensibilidade, a jovem diretora tem provado que tem muito mais a dizer do que supõe e tem conseguido mostrar que sabe caminhar sozinha sem viver à sombra do pai Francis Ford Coppola.

Depois de apurar suas técnicas atrás das câmeras dirigindo clipes para bandas como White Stripes, Sofia Coppola finalmente debuta como diretora de longas, em 1999, e sua estreia não poderia ser mais impactante, com o agridoce, Virgens suicidas.

Roteirista competente e sensível, de lá para cá, agregando ao seu estilo influências dos mestres Fellini e Antonioni, escolha de boas trilhas sonoras, ela vem lançando um olhar intimista, crítico e amargo sobre a natureza humana. Nas entrelinhas de suas tramas, volta e meia, solta estilhaços e farpas incômodas sobre o grande circo onde cresceu em Los Angeles.

Top Five – Sofia Coppola

Encontros e desencontrosEncontros e desencontros (2003) – Talvez seja o filme que traz a melhor atuação de Bill Murray até aqui, na pele de um ator em decadência que vê sua vida ganhar um sopro de entusiasmo ao lado da estonteante Scarlett Johansson. Temas como o vazio da solidão, desamparo são filmados em clima de total desolação que lembram os filmes de Antonioni.

Virgens suicidas (1999) – Na é todo diretor que tem a coragem de fazer a estreia com um tema tão delicado e impactante, mas comove e encanta a forma como Sofia, conta a história de cinco virgens deliciosas de uma pacata cidadezinha do interior dos EUA, que tiram suas vidas, sem aparente explicação. Confesso que me assustei como o pessimismo teenage da fita.

Um lugar qualquer (2010) – Olhando para o próprio umbigo, para o “buraco” de onde veio, Sofia traça aqui uma tristonha crônica sobre o mundo fake das celebridades, tendo como clima a relação frágil de um ator na crista da onda e sua filha adolescente. Mais uma vez aqui a influência é Antonioni.

Maria Antonieta (2006) – Com uma pegada pop, o filme, quase todo rodado no palácio de Versailles, humaniza a história da jovem rainha da França do séc. 18. A atuação de Kirsten Dunst no papel-título é convincente, o figurino exuberante, mesmo quando a protagonista, num golpe de ousadia poética, desfila de tênis all star entre seus pares.

Bling ring: A gangue de Hollywood (2013) – A história de um bando de adolescentes desocupados tarados por fama, selfies e futilidades que roubavam mansões de astros, em Hollywood, aconteceu de verdade e Sofia usa esse tema para fazer uma reflexão pop, ruidosa sobre a sociedade do espetáculo e o vazio que o circunda.

* Este texto foi escrito ao som de: I should coco (Supergrass – 1995)

Supergrass

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