Diretores – Ruy Guerra

O luso-moçambicano Ruy Guerra em ação cinematográfica no Brasil...

O luso-moçambicano Ruy Guerra em ação cinematográfica no Brasil…

Nascido em Moçambique, na antiga, Lourenço Marques, atual Caputo, Ruy Guerra, filhos de portugueses, estudou cinema na França, mas só foi exercer a profissão de cineasta, de verdade, no Brasil, onde mora desde 1958. Desembarcou aqui fugindo da ditadura salazarista no país ibérico, mas também fascinado pela cultura brasileira, diga-se de passagem, a música, onde se aventurou como compositor, tendo como parceiros, entre outros, veja você, Chico Buarque, com quem escreveu clássicos como, Tatuagem e Ana de Amsterdam.

Ah, sim, um sedutor incorrigível, também foi casado com Nara Leão, Leila Diniz e Cláudia Ohana. Mas antes disso, o cara, metido a poeta, dramaturgo, ator e professor de cinema, foi um dos precursores do movimento Cinema Novo no Brasil com seu polêmico Os cafajestes. Isso lá atrás, em 1962, quando Nelson Pereira dos Santos ainda não tinha realizado Vidas secas (1963) e Glauber Rocha (1964), um projeto do prodígio do que viria a ser, nem sonhava em filmar Deus e o diabo na Terra do Sol (1964), um clássico do cinema nacional que este ano completa 50 anos.

De temperamento difícil, cheio de manias e, apesar da idade avançada, mimado, ele, de uma arrogância portuguesa ululante, me deu uma entrevista em 2004, na ocasião do lançamento de Veneno da madrugada, filme exibido no Festival de Cinema de Brasília. Ok, ele me fez esperar uns 30 minutos ou mais do horário combinado, só para ele fumar um maldito charuto fedido, mas valeu à pena, foi um momento mágico. Esse é o Ruy Guerra mítico que, outro dia, tropiquei num vôo para o Rio de Janeiro. Dada as experiências, nem cheguei perto.

Top Five – Ruy GuerraOs fuzis

 Os fuzis (1964) – A primeira vez que vi esse filme foi na faculdade e já foi um impacto. Outro dia o revi e o impacto foi renovado. Um marco do cinema nacional, a fita é um dos tripés do Cinema Novo, tendo com a temática as agruras de um Nordeste sufocado pela miséria, seca e religiosidade entre os dominados e a insegurança e medo dos dominantes. Uma situação que, 50 anos depois, continua mais atual do que nunca.

Os cafajestes (1962) – Reza a lenda que o filme fez dois milhões de espectadores em dez dias, numa época em que espectadores no escurinho do cinema era mais raro do que torcedores em estádios de futebol, mas tinha o primeiro nu frontal do cinema nacional, uma cortesia de Norma Bengell, numa aventura a la nouvelle vague de dois amigos em busca de dinheiro, mulheres e diversão.

Os deuses e os mortos (1970) – Típico filme alegórico do Cinema Novo traz o embate entre um homem (Othon Bastos) e o império do Cacau no Sul da Bahia. A atuação teatral de Bastos como um sujeito sem nome com, literalmente, duas faces é, magnificamente, soberba. Nas entrelinhas, o filme, vencedor na categoria principal do 6º Festival do Cinema de Brasília, conta com trilha sonora de Wagner Tiso e atuação de luxo de Milton Nascimento.

O veneno da madrugada (2004) – Quando foi exibido no Festival de Brasília, o longa dividiu o público. Mas poucos entenderam a narrativa em espiral do mestre que dirigiu de forma exemplar um elenco formidável. Para mim é, de longe, uma das melhores adaptações de Gabriel García Marquez para o cinema.

A ópera do malandro (1986) – Musical sobre um malandro sex ambientado no Rio de Janeiro na época da 2ª Guerra, a fita teve como matriz a famosa peça Ópera dos três vinténs, de Bertolt Brecht. Não emplacou nos cinemas, mas vale só pelas canções de Chico Buarque.

* Este texto foi escrito ao som de: Chico canta (Chico Buarque – 1973)

Chico canta

 

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