Sem evidências (2013)

No filme, o bonitão Colin Firth é um investigador que questiona a justiça

No filme, o bonitão Colin Firth é um investigador que questiona a omissão da justiça

Baseado em fatos reais, o drama de suspense, Sem evidências, filme do diretor de origem egípcio-romena Atom Egoyan em cartaz na cidade tem todos os clichês do gênero que abarcam produções sobre crimes hediondos. Daí o fato dessa produção, mesmo com o elenco de luxo que tem ser um filme chato, cansativo e superficial. Na trama, três garotinhos de oito anos são encontrados mortos, no interior dos Estados Unidos, após serem brutalmente torturados. Logo as suspeitas apontam um grupo de adolescentes fãs de heavy metal e metidos com magia negra. Condenados, eles vão a julgamento e serão condenados a quase 20 anos de prisão. Resta ao investigador Ron Lax (Colin Firth) questionar a veracidade dessa condenação.

Se você ficou chateado porque eu contei a história do filme toda, não se iluda. Porque o importante aqui não é a trama em si, mas a forma como ela é construída em torno de uma camada fina e frágil de mentiras, negligência, omissão, ignorância e mistério. Isso porque os meninos incriminados não são os verdadeiros autores das bárbaras atrocidades, a eficiência policial se mostra na verdade atrapalhada e precipitada e uma onda de suspeitas pairam sobre as mais improváveis pessoas, como o pai de um deles.

Logo, está armado um circo de falsas realidades em que o discurso dos personagens não corresponde aos fatos e nada do que vemos é o que aparenta ser. Dito assim, até parece que a narrativa de Sem evidências sem mostra engenhosa, mas esbarra numa infinidade de futilidades Sem evidências 2desnecessárias que estamos cansados de ver não só em filmes com temática similiar, mas nesses seriados americanos com cara de novelão das oito. Uma delas são as cenas de tribunais em que advogados e promotores se duelam verbalmente.

“Não tem problema algum uma pessoa ouvir heavy metal, mas a questão é em que contexto isso acontece”, chega a dizer um promotor preconceituoso, que chega a citar, o satanista britânico Aleister Crowley.

Dá para perceber que o diretor Atom Egoyam tenta criar uma peça séria sobre a discussão da fragilidade da justiça e de como a sociedade, seja ela na América, no Canadá e no Brasil, está à mercê da incompetência do sistema em todos os meandros, inclusive no núcleo familiar, com a presença de pais negligentes e egoísta, mas esbarra na falta de profundidade de tais questões. Até o pertinente embate da pena de morte que, volta e meia está presente em fitas americana vem aqui à baila, mas é tratado com tamanha displicência que nem deveria ter entrado em pauta. O que se vê no geral é um amontoado de informações visuais e diálogos inúteis que termina sem apontar em nenhuma direção concreta, deixado sem evidências a credibilidade do espectador diante do que está vendo.

Com sua eterna cara de joelho, a atriz Reese Witherspoon está bem convivente na pele de uma típica mãe do interior dos Estados Unidos. E até posso estar enganado, mas acho que ela deu uma engordada para fazer o papel. Com um personagem poderoso nas mãos, o bonitão Colin Firth não teve a mesma sorte de deslanchar no enredo por conta da falta de substância do filme.

* Este texto foi escrito ao som de: Destroyer (Kiss – 1976)

Destroyer

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