Forrest Gump (1994)

“Mamãe sempre diz que a vida é uma caixa de bombons. Você nunca sabe o que vai encontrar dentro”, filosofa.

“A vida é uma caixa de bombons. Você nunca sabe o que vai encontrar dentro”, filosofa.

“Corre, Gump, corre!”, essa é a frase bordão do drama de comédia, Forrest Gump, filme de Robert Zemeckis de 1994, vencedor de seis estatuetas, inclusive melhor filme e ator para Tom Hanks. Lembro que na época de seu lançamento, o Arnaldo Jabor ficou fulo de raiva com o filme porque, na visão dele, o longa contava 30 anos da história americana pela ótica de um débil mental.

Bom, gosto muito do Arnaldo Jabor, mas não é bem assim. Na lógica humanista e até romântica do diretor, Forrest Gump é, em minha opinião, a história das últimas três décadas da sociedade americana pela visão de um sujeito sem maldades no coração, uma pessoa altruísta que olha para frente apenas para fazer o bem ao próximo. Essa é, para mim, a essência do filme que, de tão simples e óbvia, parece passar despercebida aos olhos de boa parte do espectador e crítico.

Mas caso você tenha dúvidas quanto à proposta da fita, um bom tira-tema é rever, 20 anos depois, esse trabalho com cópia restaurada nas salas do Cinemark Pier 21 e do Shopping Iguatemi. Hoje tem sessão nos dois cinemas às 19h30. Bem bacana esse projeto de revival de grandes sucessos das telonas, mas acho que deveriam privilegiar mais fitas mais antigas e estou me referindo aos clássicos dos clássicos.

Na trama, Forrest Gump é um menino meio autista do Alabama que vê a vida de uma forma bem particular: com o coração. A ingenuidade em que ele encara e lida com as coisas mais ruidosas que passam ao seu cerco é até comovente. Ele é apaixonado desde a infância pela jovem Jenn (Robin Wright Penn) e carregará esse amor não correspondido e platônico por ela até o final da história. Mesmo quando ela, egoísta e mundana, troca sua bela amizade da infância pelas sujeiras do outro lado escuro do destino.

E com esse jeitão desligado, low profile de levar as coisas, mesmo sem querer, sem perceber, eleforrest_gump_widescreen_by_sebi91-d3546qd acaba participando como coadjuvante de luxo de grandes acontecimentos da América. Desde o assassinato de JFK, a luta dos negros contra o racismo, passando pela guerra do Vietnã e o surgimento implacável da AIDS, doença que o afetará de forma cruel.

“Mamãe sempre diz que a vida é uma caixa de bombons. Você nunca sabe o que vai encontrar dentro”, filosofa.

O filme é baseado no livro homônimo de Winston Groom escrito em 1986 e confesso que foi a primeira vez que vi um filme, cuja adaptação, foi melhor do que o título original. No livro, me incomodaram algumas passagens surrealistas, como a amizade de Forrest com um Orangotango que acaba indo para Lua.

Não li nada sobre isso, mas tenho impressão que Robert Zemeckis se inspirou em Zelig, do mestre Woody Allen para desenvolver algumas passagens históricas, como aquela divertida em que ele aperta a mão de Kennedy, sem se dar conta de estar diante de uma lenda da política mundial.

Com uma trilha sonora formidável e atuação divertidíssima de Tom Hanks, Forrest Gump guarda alguns momentos mágicos. Como aquele em que Forrest desembesta a correr sem parar rumo ao nada, levando um séquito de curiosos, deslumbrados e desocupados em seu encalço. De repente, ele para e um clima de suspense corta o ar:

– Ele vai falar, ele vai falar!, grita alguém.

Após um silêncio sepulcral ele apenas diz:

– Preciso voltar para casa.

Qualquer coisa sobre esse bando de gente que sempre vive bajulando, seguindo e defendo falsos líderes, sem bem saber direito, é bobagem.

* Este texto foi escrito ao som de: In my own time (Karen Dalton – 1971)

Karen Dalton

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