Diretores – Jean-Luc Godard

O mestre, de óculos, dirigindo a bela Brigitte Bardot em "O desprezo"

O mestre, de óculos, dirigindo a bela Brigitte Bardot no formidável, “O desprezo”

Diga o que quiserem, mas para mim, os melhores filmes do genial francês Jean-Luc Godard são os clássicos, sobretudo aqueles realizados depois que ele deixou de escrever para a revista Cahiers du cinema, no final dos anos 50. Foi quando, com ideias fresquinhas, ideias revolucionárias, criou, junto com o amigo François Truffaut, entre outros, a nouvelle vague.

Um dos nomes mais importantes do cinema de todos os tempos, o artista, que ainda está na ativa hoje, no auge de seus 83 anos, também foi um dos mais importantes teóricos da sétima arte. Teoria que debulhou na prática, reinventado a linguagem do cinema com temas inovadores e estilo inconfundível.

O legado de Godard é incomensurável. Graças a ele e sua gangue de intelectuais do cinema francês tivemos no Brasil o Cinema Novo e o Cinema Marginal. A câmera nervosa, quase ofegante de Terra em transe deve muito ao impactante, Acossados (1959). Os personagens soturnos e anárquicos de O bandido da luz vermelha (1968) e Meteorango Kid (1969), também.

Na faculdade, lembro o impacto que foi ver esses filmes brasileiros com empolgação e descobrir que a matriz, o ponto de partida, a referência, era tão ou bem mais inesquecíveis. A minha vontade de fazer, escrever roteiros, enfim, refletir a sétima arte nasceu desse contexto, desse ímpeto de ver filmes tão instigantes. Bem, se Godard não existisse teria sido inventado.

AcossadoTop Five – Jean-Luc Godard

O desprezo (1963) – Assim como todo bom diretor, Godard também presenteou o público com um belo exercício de metalinguagem e que exercício! Aqui ele reverencia um dos mestres do cinema, o austríaco Fritz Lang, numa história que é uma das mais contundentes sobre o fim de um relacionamento. Cinema e emoções à flor da pele. Ou melhor, é Godard fazendo cinema de Hollywood a la nouvelle vague.

O demônio das onze horas (1965) – Jean-Paul Belmondo aqui é Ferdinand, um sujeito que vê sua vida virar de pernas para o ar depois que um cadáver aparece em seu apartamento ao amanhecer. Existencial, experimental e anárquico, o filme fala, nas entrelinhas, entre outras coisas, de temas como liberdade e a essência de viver. Por isso que o nosso Pierrot é tão elétrico e anárquico. É uma fonte básica para O bandido da luz vermelha, de Sganzerla.

Acossado (1959) – Foi aonde tudo começou. Com roteiro de François Truffaut, Godard sintetiza suas influências literárias e cinematográficas numa história nada convencional sobre perseguição e paixão. Adoro quando o personagem de Jean-Paul Belmondo cita William Faulkner para a bela Jean Seberg na cama.

Alphaville (1965) – Misturando ficção científica, com personagens de HQ e poesia existencial o diretor cria aqui um claustrofóbico filme noir futurístico onde as pessoas não podem chorar, as palavras se perdem com o tempo e não sabem o que é se apaixonar. Um “clássico do futuro” que Influenciou Sganzerla, André Luiz Oliveira e porque não Kubrick, com seu robô manipulador em 2001 – Uma odisseia no espaço.

A chinesa (1967) – Posso estar enganado, mas diria que esse filme foi um dos primeiros trabalhos de Godard a flertar com a política esquerdista. Lembro que o vi pela primeira vez no CCBB Brasília e me marcou muito a figura de Jean-Pierre Leaud na trama.

* Este texto foi escrito ao som de: Esperando el fin do mundo (Rubin – 2006)

Rubin

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s