Pedro Miranda no Teatro da Caixa

O jovem artista carioca, ontem, no espaço, e o seu inseparável pandeiro

O jovem artista carioca, ontem, no espaço, e o seu inseparável pandeiro

O jovem sambista Pedro Miranda, à revelia da idade, gosta mesmo é de samba de raiz. E foi com esta nostalgia de um tempo musical que não viveu que ele chegou debaixo do braço, ontem, no Teatro da Caixa, como uma das atrações do mês do Samba de bamba, projeto que todo mês apresenta uma revelação do MPB. Agradou.

Bem, também queria o quê, se o próprio Caetano Veloso escutou e gostou. Tanto que elogiou as composições e interpretações que o artista fez para os dois discos que gravou, Coisa que coisa (2006) e o ótimo Pimenteira (2009), de uma coleção de obras-primas. Melhor reverência não poderia ganhar e olha que de quem entende do assunto.

De uma simpatia contagiante, ele interpretou grandes sucessos do samba que ele selecionou para o repertório do show numa apresentação correta, contagiante e marcante. “É muito bom estar de volta à Brasília, sempre que veio aqui sou recebido com carinho”, disse, acompanhado por grupo de músicos cariocas de arrepiar. “É uma honra ser amigo desses caras que são vagabundos da melhor safra”, brincou.

Jovem, Pedro Miranda é um cara que conhece muito bem o que canta e interpreta. Mas quem olha o artista tão bem à vontade no palco entre clássicos do samba, nem imagina que um dia ele nem dava pelota para as canções do ritmo brasileiro por excelência. Surfista e fã de Beatles, Pink Floyd, Jethro Tull e Bob Marley, nem ele imaginava que um dia fosse se render ao lirismo malemolente do samba.

PandeiroTudo começou no final dos anos 90, na faculdade de desenho industrial, quando conheceu e ficou fã dos meninos do Cordão do Boitatá, com quem tocou ao longo de dez anos. Mas antes, já tinha se encantado com uma coleção formidável de discos do mestre Luiz Gonzaga. E para surpreender ainda mais, tomou gosto em tocar zabumba, a ponto de assinar o nome artístico no início da carreira como Pedro Zabumba. Mais tarde adotaria o pandeiro como instrumento preferido e de lá para cá sempre se apresenta no palco acompanhado com esse instrumento de percussão.

Foi assim no Teatro da Caixa, na última terça-feira, onde interpretou os sucessos contagiantes do seu disco mais recente, o formidável Pimenteira. Bem à vontade, o artista o tempo todo brincou com o público, mostrando versatilidade em cantar grandes sucessos do samba do passado e da atualidade. O que é legal de se ouvir Pedro Miranda é que ele tem uma voz das antigas, que lembra os saudosos sambistas da velha guarda.

“Agora eu vou cantar uma música e no final vocês decidem pra quem a gente dedica ela”, brincou, ao cantar, Na cara do gol. “Pode ser para uma pessoa ou para um grupo de pessoas”, ironizou, se referindo ao desastre da seleção brasileira nessa Copa.

* Este texto foi escrito ao som de: Pimenteira (Pedro Miranda – 2009)

Pedro Miranda - Pimenteira

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