O Grande Hotel Budapeste (2014)

Um elenco estrelas é destaque de mais uma das histórias malucas de Wes Anderson

Um elenco de estrelas é destaque de mais uma das histórias malucas de Wes Anderson

Wes Anderson é o cineasta independente dos filmes estranhos, malucos e divertidos. Também é um cara jovem e talentoso que tem um estilo inconfundível e frisou sua marca nas telonas de tal maneira que, não demoramos muito para identificarmos um filme seu. Poucos cineastas tiveram e têm esse luxo e falo de mestres, como por exemplo, Fellini, Woody Allen, David Lynch e Tarantino.

Em cartaz há duas semanas, o divertido O grande Hotel Budapeste é o seu mais recente trabalho. Assim como em outras de suas histórias, os personagens são caricatos, as situações rocambolescas, as cores vivas e clássicas que lembram ilustrações infantis, miniaturas, fantoches e maquetes surgem como adereços cênicos e visuais, enfim, a narrativa contada tem tom de fábula. A maneira fantasiosa e, ao mesmo tempo, metodicamente intrigante com que Wes Andersen constrói seus filmes é fantástica e fascinante. Tudo parece ser mais do mesmo, mas não é. Por isso que adoramos suas fitas.

Aqui, tramas e subtramas são desenroladas e entrelaçadas uma dentro da outra para contar a história de M. Gustave, Ralph Fiennes em atuação incrível e inusitada. Sotaque acentuado, trejeitos meio apatetados, ele é o encarregado máximo de um hotel que no passado foi um dos mais imponentes do leste europeu, mas hoje é apenas um gigante em ruína cheio de quartos. Dentro e fora dele, personagens incríveis com suas tragédias e acertos de vida vão ganhando contornos por meio das recordações de Mr. Moustafa (F. Murray Abraham).

O grande hotel budapeste 2Ambientando nos anos 30, no período entre as duas guerras mundiais, o filme tem um clima retro bem estiloso que só a cabeça descolada e esquisita do diretor consegue atingir. E as esquisitices surgem nos menores detalhes e, de tão esdrúxulos, se tornam notáveis, como aquele trenzinho em forma de peça xalingo que anda por trilhos na diagonal.

Depois que uma de suas hóspedes é assassinada, M. Gustave tem que fugir para escapar da acusação desse crime que não cometeu. Pelo caminho vai tentando buscar subsídios para conseguir sua defesa, mas quanto mais fuça, mas a situação fica complicada. Enquanto isso, um famoso quadro renascentista é roubado e uma família de excêntricos loucos se digladia por causa da herança. Mesmo assim, tudo dá certo no final, mas a custa de muita bizarrice, comédia farsesca e reflexões dramáticas espirituosas.

Um filme, como revelou o próprio Wes Anderson, baseado na “minha própria versão das ficções de Stefan Zweig” – escritor austríaco que morreu no Brasil em 1942 – O grande Hotel Budapeste é mais um daqueles deliciosos exercícios do diretor de contar histórias interessantes de forma instigante, provocativa, divertida e diferente. Tão diferente e original que, muito atores, fazem questão de trabalhar em seus filmes. Além do habitual elenco que já lhe segue, com rostos conhecidos em seus enredos como o amigo Owen Wilson, Bill Murray, Jason Schwartzman.

Aliás, uma das diversões dessa fita é descobrir rostos famosos em pequenas e inusitadas participações, sem fazer, claro, com que o espectador se distraia com o particular universo desenhado por esse mago do cinema contemporâneo.

* Este texto foi escrito ao som de: Face to face (The Kinks – 1966)

Face to face

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s