Versos de um crime (2013)

O eterno Harry Potter Daniel Radcliffe vive nas telas o poeta Allen Ginsberg

O eterno Harry Potter Daniel Radcliffe vive nas telas o poeta beatnik Allen Ginsberg

Rosto mais famoso dos filmes da série Harry Potter, Daniel Radcliffe luta incessantemente para se livrar do estigma de um dos personagens mais marcantes do cinema nos últimos tempos. Se ele vai conseguir, não sabemos, mas o ator inglês está se empenhando para isso e feito por merecer. Tanto que tem se entregado de corpo e alma em papéis viscerais, bem diferente daquele que o consagrou.

Depois de viver um marido que perde a esposa e passa a ser atormentado por almas penadas no macabro A mulher de preto, ele vive agora ninguém menos do que Allen Ginsberg no drama Versos de um crime. De longe o poeta mais importante do movimento beatnik, o autor de livros famosos como Uivo tem retratado aqui os seus tempos de faculdade, período em que conheceria aqueles que seriam dois representantes da sólida tríade que forma a geração beat, ou seja, os escritores Jack Kerouac e William S. Burroughs.

Anos 40. Universidade de Columbia. Após passar uma infância cercada pelos problemas de esquizofrenia da mãe, o jovem Ginsberg (Daniel Radcliffe) finalmente consegue uma vaga na prestigiada escola de ensino superior. Lá, em pouco tempo, irá conviver com um grupo delinquente de almas selvagens que só querem saber de drogas, sexo e literatura. A passagem em que o jovem Burroughs entra em cena é impagável, com ele metido numa banheira com máscara de oxigênio entupida de drogas.

Versos de um crimeAinda em conflito consigo com relação a sua sexualidade, Ginsberg acaba se despertando para o homossexualismo quando passa a dividir o quarto com o atraente, abusado e arrogante Lucien Carr (Denis Dehaan). Ele é bonito e desperta suspiros não apenas das meninas, mas também dos meninos, entre eles um instrutor de escoteiros (Michael C. Hall), que não esconde sua obsessão pelo rapaz. Eis o conturbado triângulo amoroso que irá culminar no assassinato de David Kammerer por Lucien Carr, em 1944, desencadeando uma rápida nota trágica na vida desses três grandes nomes da literatura norte-americana.

Filme de estreia de John Krokidas, Versos de um crime, atração do Festival de Cinema de Sundance, traz um recorte obscuro da vida desses três ícones da literatura do século 20 numa trama honesta e com boas atuações. Mas é uma pena que o roteiro não explore com mais profundidade a personalidade desses personagens, se limitando aos arquétipos e clichês do que já conhecemos. E aqui está um dos sérios problemas das cinebiografias norte-americanas e brasileiras.

Assim como Sofia Coppola fez em Maria Antonieta, o diretor Krokidas se permite a fazer uso de algumas liberdades artísticas e recheia o enredo de Versos de um crime com jazz, a trilha sonora da época, mas também com boa dose de pop rock contemporâneo.

Depois do fatídico episódio que levou à prisão, por pouco tempo, de Burroughs e Kerouac, os dois escritores se esconderam atrás de pseudônimos, escrevendo em 1945, uma ficção inspirada no caso. Como nenhum dos dois ainda tinha escrito seus clássicos textos, nenhuma editora se interessou pela história e o caso ficaria no esquecimento até ser desenterrado por John Krokidas.

* Este texto foi escrito ao som de: The Libertines (2004)

The libertines

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