Diretores – Howard Hawks

O cineasta nos bastidores  de um de seus clássicos com a musa Laura Bacall

O cineasta nos bastidores de um de seus clássicos com a musa Laura Bacall

Reza a lenda que o filme Uma aventura na Martinica,do genial diretor Howard Hawks, nasceu de uma aposta. O cineasta fez um desafio ousado ao escritor Ernest Hemingway que aceitou. Disse que faria do pior livro do autor de clássicos como Por quem os sinos dobram e Paris é uma festa, um bom filme. E conseguiu. Tal história só vem comprovar o talento de um dos maiores nomes de Hollywood. Gênio eclético, Hawks nunca escondeu sua falta de modéstia e ambição de querer fazer uma obra-prima em cada um dos gêneros que dirigiu. O que também conseguiu e com um dos braços nas costas. Tais feitos arrancaram do franco-suíço Jean-Luc Godard um elogio entusiasmado.

“Howard Hawks é o maior artista americano do século”, disse o colega de profissão, que homenageou Hawks e outros cineastas norte-americanos no filme O desprezo.

Conhecido pelo espírito versátil e grande realizador de Hollywood, o diretor é responsável por alguns clássicos do cinema. Alguns deles estão retratados na lista abaixo, consagrando uma carreira gloriosa. O nome de Howard Hawks começou a despontar com o clássico Scarface – A vergonha de uma nação, fita de 1932 que serviria de matriz para os filmes dos gêneros. Mas foram com as comédias malucas dos anos 30 e 40, as famosas screwball comedy, que ele se firmaria de vez na profissão.

Com a maturidade se daria ao luxo de se reciclar e brincar de fazer filmes o que até isso ele fazia muito bem. Um mestre.

Top Five – Howard HawksOnde começa o inferno

Hatari! (1961) – Tido por muitos especialistas um filme menor na carreira do diretor, essa comédia de aventura marcou época na Sessão da tarde e é sinônimo de diversão pura. Filmado no leste da África como se fosse um hilariante safári de estrelas, traz belos horizontes, fotografias esplendidas, diálogos espirituosos e deliciosa música de Henry Mancini. A direção segura do mestre permite boas atuações, entre elas a de John Wayne. Imperdível.

Onde começa o inferno (1959) – De longe um dos melhores faroestes de todos os tempos para mim. Costurando tramas paralelas, cheias de humanidade e humor, o diretor cria uma obra pungente e ao mesmo tempo cômica. Por baixo na carreira, Dean Martin deu a volta por cima aqui na pele de um bêbado carismático. Veja.

Rio vermelho (1948) – Conta a saga de Thomas Dunson (John Wayne) e seu afilhado Mathew Garth – Montgomery Clift em sua primeira atuação no cinema – nos primórdios do expansionismo capitalista americano. O drama que perpassa a tortuosa relação dos personagens é a cereja do sundae. Inesquecível os últimos momentos da fita.

Uma aventura na Martinica (1944) – É o tal filme feito pelo diretor do pior livro de Hemingway. Tem drama, humor, conflitos políticos, sensualidade e claro, Humphrey Bogart e a deliciosa Laura Bacall juntos. Preste atenção no suspense cheio de malícia na cena do quarto escuro.

Scarface – A vergonha de uma nação (1932) – Well, é como eu já disse, tendo como Al Capone como referência o dissimulado Paul Muni no papel-título, o cineasta realizou aqui um filme que viria a ser referência no gênero. Violentíssimo para época, com seu clima noir, traz algumas cenas antológicas, como a da marca do X antecedendo cada crime brutal. Clássico.

* Este texto foi escrito ao som de: Amor pra recomeçar (Roberto Frejat – 2001)

Frejat - Amor pra recomeçar

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