Fenômeno meteórico – Gerson Conrad

Os Secos & Molhados no auge da carreira. Pinturas faciais imitadas pelo Kiss

Os Secos & Molhados no auge da carreira. Pinturas faciais imitadas pelo Kiss

A dúvida até hoje paira no ar. Afinal, quem copiou de quem a maquiagem que consagraria tanto o grupo norte-americano Kiss, quanto os nacionais dos Secos & Molhados, um dos maiores fenômenos da música brasileira até hoje. Formado pelo português João Ricardo, no início dos anos 70, e tendo como integrantes Ney Matogrosso e Gerson Conrad, o trio formidável até hoje é um divisor de águas no cenário musical no Brasil. Basta conferir os dois discos que eles gravaram entre 1973 e 1974 para notar porque, 40 anos depois, eles continuam encantando gerações e mais gerações.

Por tudo isso, é uma pena que hoje, passado tantos anos, seja lamentável que os membros do grupo se odeiam tanto, trocando contundentes farpas pela mídia. De um lado João Ricardo, do outro Ney e Conrad, que lançou no ano passado o livro Fenômeno meteórico pela Anadaco Editora. Uma coletânea de imagens sensacionais numa brochura bem acabada, o livro é a sua versão sobre, como diria o poeta Raul Seixas, o início, o fim e o meio dos Secos & molhados. De certa forma a obra não deixa de ser um desabafo, um grito de defesa contra os impropérios soltados pelo ex-amigo João Ricardo. A narrativa não é a das melhores, mas é a declaração de quem estava no olho do furacão.

Está tudo lá, meu chapa, pela ótica, claro, do integrante tido como o George Harrison do trio. Em Fenômeno meteórico ele lembra o encontro com João Ricardo no início dos anos 70, a chegada do Rio de Ney Matogrosso, o motivo casual que os levaram a pintar os rostos e a estética musical que marcaria o estilo dos Secos & Molhados, amparada pelo talento do português João Ricardo.

Meteórico fenômenoAutor da melodia marcante de Rosas de Hiroshima, talvez o maior sucesso deles, Gerson Conrad detalha no livro, com depoimentos e recortes de reportagens da época, como foram as primeiras apresentações deles em São Paulo, o papel importante do jornalista Moracy do Val na projeção nacional do grupo, o sucesso inesperado e meteórico dos Secos & Molhados, que pegou todo mundo de surpresa, inclusive os militares. Em menos de um ano, os três venderam milhões de discos, batendo até mesmo o até então rei Roberto Carlos. A antológica e emocionante performance num Maracanãzinho lotado não é esquecido pelo autor.

Apesar do jeito espalhafatoso de se apresentarem, com muitas plumas, paetês e purpurina, além de gestos sensuais e até provocativos, Ney, Conrad e João Ricardo conquistaram todos os públicos, dos garotinhos e garotinhas inocentes, fascinados com a evocação folclórica da sensacional faixa O vira, ao vovô e vovó, encantados com a sofisticação de canções como O patrão nosso de cada dia, Fala e Primavera nos dentes.

Ah, sim, só para esclarecer. Pelas memórias de Gerson Conrad no livro, foi a banda Kiss, sim, quem copiou as fantasias faciais criadas pelos Secos & Molhados. Isso se deu por volta de 1974, quando o trio foi parar no México para uma turnê. Provavelmente uma artimanha comercial tacanha de um grupo de empresários americanos que não conseguiram emplacar os Secos & Molhados na América. Daí eles lançaram um genérico bem difente.

* Este texto foi escrito ao som de: Série dois momentos Vol. 1 (Secos & Molhados – 1973/1974)

Secos e Molhados 12

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Um comentário sobre “Fenômeno meteórico – Gerson Conrad

  1. Ninguém Copiou De Ninguém. Arthur Brown Já Usava Maquiagem Nos Anos 60, Alice Cooper E O Próprio Kiss Foram Obviamente Influenciados Por Ele.

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