Diretores – Quentin Tarantino

Uma Thurman e John Travolta em cena antológica de Pulp fiction...

Uma Thurman e John Travolta em cena antológica de Pulp fiction, um dos clássicos do cineasta

Há quem diga que Noel Gallagher do Oasis é um grande plagiador. Bobagem, o que ele faz é reciclar suas influências musicais de forma contemplativa e criativa. Desde que surgiu na cena cinematográfica isso é o que debochado e provocador Quentin Tarantino sabe fazer de melhor. Com seu estilo cheio de referências e homenagens, o diretor norte-americano meio que deu uma cara nova ao cinema norte-americano independente, reinventando, de forma genial e divertida clichês e fórmulas feitas. E que cara foi essa que ele deu a Hollywood? Ora bolas, a dele, claro!

Verborrágicos, violentos, recheados de humor negro e imprevisíveis, os filmes de Tarantino escancaravam o talento singular de um sujeito que passou boa parte da juventude atrás do balcão de uma locadora assistindo filmes e mais filmes. Essa escola da vida foi exemplar.

Iniciando a carreira como roteirista, até acertar a mão com Um drink no inferno e Assassinos por natureza, dirigido por Oliver Stone, confesso que demorei certo tempo para assimilar a badalação em torno do cara, mas caí de joelhos quando vi Pulp fiction.Daí em diante ele não parou mais de me surpreender. Um dos nomes mais importantes e influentes do cinema, Tarantino é responsável por uma onda de jovens cinéfilos arregaçarem as mangas e pegarem em câmeras para fazer seus próprios filmes. Muitos copiando, sem sucesso, é verdade, o estilo do ídolo, mas e daí se o barato já é querer transformar ideias em filmes.

Top Five – Quentin Tarantino

Django LivrePulp fiction (1994) – É um daqueles filmes para dar uma sacudida na indústria cinematográfica e nos espectadores quando todos estão acomodados diante da mesmice. Inovador, estilizado e provocador, traz atuações formidáveis, diálogos espirituosos e criatividade narrativa. É Tarantino no melhor estilo, mostrando que é o Godard de Hollywood.

Cães de aluguel (1992) – Primeiro filme dirigido por Tarantino que o revelou com um novo talento do cinema, traz trama violentíssima em torno de um assalto mal-sucedido. Já aqui ele mostra sem senso de humor em arrancar risadas em situações onde não caberia tal efeito.

Django livre (2012) – Não é só uma fita para quem gosta de faroestes, mas, sobretudo, de cinema, revelando que o diretor, ator e roteirista, atingiu aqui sua maturidade criativa. Belos, cenários e direção de arte, atuações impecáveis, roteiro surpreendente e narrativa envolvente, de tirar o fôlego. Precisa dizer mais? Sim, a impecável dupla de astros Jamie Foxx e Christoph Waltz.

Jackie Brown (1997) – Uma das características do diretor é de homenagear grandes filmes e seus diretores e astros. Aqui ela lança seu foco nas fitas produzidas com atores e cineastas negros na corrente cinematográfica setentista conhecida como Blaxploitation. Pam Grier, uma das musas do movimento, está uma uva.

Kill Bill: Volumes 1 e 2 (2003 – 2004) – Só quem era adolescente e se amarrava em ver filmes de caratê nos anos 70 vai entender essa imersão quase filosófica, do ponto de vista da referência, do diretor no espaço-tempo do cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: Let’s stay together (Al Green – 1972)

Al Green

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