Meu adorável desbocado Eduardo Bueno

Para quem não sabe o Peninha é um polêmico caricato, inofensivo, deixe o cara em paz

Para quem não sabe o Peninha é um polêmico caricato, inofensivo, deixe o cara em paz

Em 2007 peguei o telefonei e disquei para o jornalista e historiador gaúcho Eduardo Bueno. Ele estava na crista da onda depois de publicar os livros da coleção Terra Brasilis, mas dessa vez eu ia falar com ele sobre um título inusitado, Passando a limpo – História da higiene pessoal no Brasil. Logo na primeira pergunta dei uma mancada “felomenal” – da qual eu não me lembro agora – e ele não perdoou. “Mas jornalista é burro mesmo, bah!”, disse, implacavelmente.

Pronto, virei fã do cara na hora.

Por isso que eu achava uma pena que o Peninha andava sumido até reaparecer com gás total, falando pelos cotovelos, como é o seu estilo, no sensacional Os extraordinários, exibido pelo SporTV todos os dias depois dos jogos da Copa.  Imperdoável com a burrice alheia e hipocrisia também, ele é uma das estrelas do programa ao lado da bela Maitê Proença, Xico Sá, Paulo Miklos e um dos Casseta & Planeta, que eventualmente aparecem como convidados.

E por ser autêntico e sincero, por falar o que pensa o jornalista e historiador está sendo vítima de perseguição de uma cambada de desocupados que não têm um mínimo de senso de humor. Essa história de chamá-lo de preconceituoso e de querer processá-lo porque fez um comentário infantil e brincalhão sobre o Nordeste e os nordestinos é uma piada de mau gosto. Ora bolas, mas se tem tanto político vagabundo por aí falando merda e ninguém faz nada, não é verdade? Ninguém mesmo, sobretudo essa massa ignara e suas manifestações ridículas e patéticas.

Aliás, por onde anda esses manifestantes de meia-tigela brasileiros? Cadê os protestos irados Passando a limpodaqueles que estavam indignados com a política, com a FIFA, com a Copa do Mundo no Brasil? Imagino que eles estejam nos estádios dando umas de patriotas, se emocionando de mentira ao cantar o hino nacional.

Mas voltando ao Eduardo Bueno é o seguinte. O Peninha, para quem não sabe, não percebeu ainda, faz o polêmico caricato, ou seja, aquele que é inofensivo, que não faz mal a ninguém. É como aquele ditado popular que todo mundo conhece e que diz assim: cão que ladra não morde. Ele lembra o Paulo Francis no Manhattan Connection, com sua explosão de indignação de burguês mimado, nos alegrando todas as noites de domingo. Mas daí o cara exagerou, pegou pesado e a Petrobras que é uma empresa sem graça e sem senso de humor, além de corrupta, não entendeu e processou o cara. Resultado. O velhinho não agüentou e morreu.

Portanto, o Peninha em paz que ele é do bem, é inofensivo, é dos nossos. O Eduardo Bueno é a melhor atração dos Extraordinários, o mais engraçado, o mais culto, o mais desbocado, o desbocado que vocês, desocupados, adoram odiar. E que queres saber? Vou lhes dar um polêmico de verdade que é o genial Arnaldo Jabor, cujas declarações bombásticas, contundentes e pertinentes, não têm nada de infantil. Já o Eduardo Bueno, apesar do sobrenome, tem o mérito, entre outras coisas, de ser melhor do que o Galvão Bueno, o que acho muita coisa.

* Este texto foi escrito ao som de: Bob Dylan’s Greatest Hists (1967)

Bob Dylan Greatest Hits

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