Goleou, mas não me convenceu…

A seleção brasileira é tão fake quanto a massa cantando os hinos nos estádios

A seleção brasileira é tão fake quanto a massa cantando os hinos nos estádios

Amigos, eu não entendo muito de futebol, às vezes me faço como aquele personagem de Nelson Rodrigues que, meio apatetado, faz a pergunta cretina de si para si. “Quem é a bola?!”. Mas qualquer criança catarrenta com figurinha da Copa do Mundo grudada entre dedos sabe que a seleção goleou, mas não convenceu. E não convenceu porque é um time fake, tão fake quanto essa massa ignara e autista de brasileiros cantando o hino nacional à capela nos estádios brasileiros. Os dois não têm nada de empolgante e verdadeiro. Do ponto de vista midiático, a seleção brasileira não é formada de estrelas de alto gabarito, mas no quesito futebolístico deixa muito a desejar ainda com relação às cinco estrelas que carregam no peito, essa sim, devem ser valorizadas.

O Brasil tem um grupo bonito, unido e divertido de se vê nas propagandas, desembarcando nos aeroportos, falando nas coletivas, ou correndo nos treinos, mas dentro de campo esse espírito de coletividade não vinga porque é uma equipe pouco entrosada tecnicamente. Acho que eles não tiveram tempo de se conhecerem, familiarizarem, entrosarem tecnicamente, não me parecendo um grupo preparado em torno de uma meta que é levar esse caneco dentro do Brasil. Há muita vontade para isso, mas pouco futebol. Confesso que já vi seleções brasileiras bem melhores em Copas do mundo.

Felipão, em coletiva depois do jogo, jurou que a defesa brasileira não tem um “piguinho” de Brasil x Camarõesproblema, mas foi a única zaga do grupo que levou um gol de Camarões. E que gol bobo. A seleção brasileira tem um sistema defensivo falho e quero ver o que vai acontecer quando eles bobearem diante de um Robben, por exemplo. “Sobre os meus zagueiros eu não tenho nenhum receio, medo, são espetaculares, maravilhosos. Eu que fui um grande zagueiro fui batido algumas vezes”, defendeu o treinador, com sua habitual arrogância infantil.

Ok. Dou o braço a torcer. “Neymala”, com aquele cabelo de gambá, foi o melhor jogador dentro de campo, fez diferença e gols marcantes, virou artilheiro da Copa, mas vai ter que correr muito se quiser ter a sexta estrelinha brilhando no peito. Jogadores como Luiz Gustavo e Fernandinho hoje fizeram diferença, agora quem disse que o Hulk, com aquela bunda de dançarina de É o tchan, joga bola a ponto de estar numa seleção?

Confesso que o Brasil perder essa Copa do Mundo em casa vai ser feio, triste, um vexame, mas não escondo de ninguém que nunca fui a favor desse Mundial por aqui. É uma birra política. Explico. Na minha cabeça de rapaz ingênuo, o Brasil vencer a Copa do Mundo de 2014 significa vitória dessa política porca do PT, que não quero de volta no poder nunca mais. Esse dinheirão todo aplicado em estádios, mobilização e infra-estrutura poderia ser revertido em melhores hospitais, uma educação de ponta, enfim, todos esses clichês do gênero, mas estamos sempre cuspindo para cima quando falamos no assunto. Eu não me vendo por qualquer merreca, nem sou ludibriado rápido assim, com quatro gols numa seleção que já entrou em campo como um leão abatido.

É o tal negócio, a velha política do pão e circo. Ganhar de Camarões é fácil. Quero ver o Brasil bater a Holanda.

* Este texto foi escrito ao som de: Fruto proibido (Rita Lee – 1975)

Rita Lee - Fruto proibido

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