Pelé eterno (2004)

O atleta do século em sua despedida na temperada norte-americana, nos anos 70

O atleta do século em sua despedida na temperada norte-americana, nos anos 70

Em 1950, então com nove, dez anos, Pelé viu assustado o choro do pai diante da derrota da seleção brasileira, no Maracanã, para os guerreiros uruguaios de Gighia e companhia. Ele, que sempre tinha ouvido o coroa dizer que homem não chorava, ficou espantado com aquela imagem grotesca e patética. Talvez impressionado, não titubeou e fez uma promessa desafiadora. “Não chore não, papai, eu vou ganhar uma copa para o senhor”, disse.

Pois foram necessários apenas sete anos para a promessa se cumprida no mundial da Suécia, em 1958, em cima dos donos da casa, com o arrasador placar de 5 x 2. Dois do jovem craque que assombrou o mundo e que passaria a ser chamado desde então, mais do que justamente, pelo genial cronista Nelson Rodrigues, de rei. Essas e outras histórias estão no documentário Pelé eterno que, aproveitando o momento da Copa, é exibido no Canal Brasil ao longo de todo o mês.

Dirigido por Anibal Massaini Neto e lançado nos cinemas em 2004, o filme conta nos bastidores com um time de primeira. O texto é de Armando Nogueira, o roteiro de José Roberto Torero e narração de Fulvio Stefanini. Mesmo assim a fita tem problemas. Um deles é o tom chapa branca maçante, exaltando a figura do rei Pelé de forma cansativa. Pior porque Pelé entra em campo para dar depoimentos elucidativos, mas desnecessários.

Contudo, Pelé eterno não deixa de ser um importante registro para as novas gerações de garotos verem e notarem o quanto Pelé foi genial, mágico, magnânimo dentro de campo, sendo mil vezes melhor do que Cristiano Ronaldo, Messi, “Neymala”, Robben e tantos outros juntos. “Marcar 1000 gols como o Pelé, não é difícil. Marcar um gol como Pelé, é”, disse categoricamente o poeta Carlos Pele eterno 2Drummond de Andrade, certa vez.

Outro grande mérito do documentário com certeza são as antológicas imagens de arquivos que trazem o jogador em momentos memoráveis, antológicos, inesquecíveis. Algumas, com certeza, clássicas, outras raríssimas, marcantes. Mostra como Pelé ganhou esse apelido simples e único, e como sua figura foi determinante para fazer do futebol o esporte mais popular do planeta. Há quem discorde, meu chapa, mas o cara foi os Beatles dos campos, com a diferença que os meninos de Liverpool eram quatro. O rei do futebol um.

“Se Pelé não tivesse nascido humano, tinha nascido bola”, escreve Armando Nogueira, um dos mais geniais jornalistas esportivos de todos os tempos. “Que os meninos de hoje não se esqueça de dizer aos meninos de amanhã. Até a bola do jogo pedia autógrafo para Pelé”, acrescenta o mestre.

Eleito atleta do século, também atleta do milênio, vencedor de inúmeros títulos internacionais e nacionais, autor de gols sobrenaturais, protagonista de jogos que entraram para história, Pelé é talvez uma das celebridades mais importantes do planeta e o que é melhor. Ele é produto genuinamente nosso. “O melhor produto do Brasil ainda é o brasileiro”, deixou registrado o intelectual, Câmara Cascudo. E quem sou eu para discordar.

Um momento especial do filme é quando mostra que ele recebeu todas as propostas milionárias do mundo para ir jogar no exterior e recusou todas, para ficar no Brasil e no seu Santos querido que lhe deu tantas glórias e alegrias ao povo brasileiro.

* Este texto foi escrito ao som de: África Brasil (Jorge Ben – 1976)

Africa Brasil

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