Diretores – Sidney Lumet

O diretor, de bigode, dirigindo Al Pacino em um de seus filmes mais populares

O diretor, de bigode, dirigindo Al Pacino em um de seus filmes mais populares

Espécie de consciência crítica e moral da sociedade americana, o cineasta Sidney Lumet foi um dos nomes mais contundentes da nova Hollywood. E também um dos mais prolíficos, realizando uma média de mais de dois filmes por ano. E pelo menos dos filmes que vi do diretor, jamais me pareceu que ele, em algum momento, quis agradar seus pares. Em raras exceções, não tinha o menor pudor, medo ou vergonha de botar o dedo na ferida. Mesmo que os temas de seus filmes cortassem na carne.

Começou a carreira cedo, em 1957, é o primeiro filme que dirigiu foi de arrepiar os cabelos: Doze homens e uma sentença. Vindo da televisão, Lumet encarou bem a transição das telinhas para as telonas, privilegiando um estilo marcado pela boa direção de atores e escolha de temas explosivos que colocavam contra a parede importantes instituições do estado e o questionamento ético de seus representantes.

A pegada neo-realista de suas tramas é visível na intimidade e fúria com que filma os ritmos das ruas. Bem à vontade, os grandes atores com quem trabalhou, parecem pessoas comuns metidos na agitada barulheira do cotidiano. O personagem Frank Serpico de Al Pacino que o diga.

Top five – Sidney Lumet 

Doze homens e uma sentença (1957) – Poucas estreias de um diretor foram tão fulminantes e arrebatadoras. Talvez um de seus melhores filmes, aqui o diretor explora o drama da consciência num filme em que o sádico hábito humano de julgar é a premissa. Henry Fonda está magnânimo na pele de um homem em busca de justiça, se sentindo Daniel na cova dos leões. Note-se que grande parte do filme se passa numa sala. E tome diálogos.Serpico

Vidas em fugas (1959) – Para mim uma das melhores adaptações de uma história do dramaturgo Tennessee Williams para telonas, traz o galante Marlon Brando na pele do andarilho Snakeskin, um artista da noite que afunda de vez os planos de uma vida feliz da amarga Lady Torrance (Anna Magnani. Desajustados, desafortunados, eles se envolve numa perigosa teia de entrega e mal-entendidos que culmina num desfecho bíblico.

Um dia de cão (1975) – Al Pacino aqui é um assaltante atrapalhão que tenta roubar um banco para pagar mudança de sexo de seu amante. No final dá tudo errado, mas antes o diretor tem a chance de fazer uma ruidosa e pertinente crítica sobre a espetacularização da notícia e irresponsabilidade da mídia. Com isso, de forma divertida e ágil, antecipa em alguns anos as pessimistas reflexões do filósofo francês Guy Debord no seu A sociedade do espetáculo.

Serpico (1973) – Assim como em Um dia de cão Al Pacino aqui defende o papel-título com unhas e garras, vivendo um policial de origem italiana que não se deixa corromper pelos colegas profissionalmente imorais. Perversamente crítico, o filme aborda um tema que para o dia a dia da corporação no Brasil ainda parece uma triste realidade.

Antes que o diabo saiba que você está morto (2007) – E se começou a carreira muito bem, porque não encerrá-la de forma gloriosa. E é o que diretor faz com esse drama perturbador sobre a moral humana. Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke são irmãos em decadências pessoais que resolve assaltar a própria loja dos pais. A empreitada dá errada e os dois ficam na mira do pai que, sem saber, está caçando os próprios filhos. Uma nota irônica, morto recentemente por envolvimento por drogas, o ator Seymour Hoffman vive um drogado.

* Este texto foi escrito ao som de: # 10 (The Guess Who – 1973)

The Guess Who

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