Era uma vez eu, Verônica (2012)

A atriz Hermila Guedes, musa do cinema pernambucano, em drama intimista

A atriz Hermila Guedes, musa do cinema pernambucano, em drama intimista

Rola até dia 28 deste mês no CCBB a mostra o “novo cinema pernambucano”. A pergunta é: algum dia o movimento que tomou de assalto os cinemas do país em meados dos anos 90 teve uma velha guarda? Mas enfim, o que importa é que Pernambuco tem muito que mostrar nas telonas, o que já tem feito com nome como o roteirista e agora diretor Hilton Lacerda, Cláudio Assis, Kleber Mendonça, Lírio Ferreira e Paulo Caldas e o meu preferido, Marcelo Gomes.

E foi ali na Rua Augusta, em São Paulo, que fiquei assombrado com a narrativa árida, dura e incisiva de Cinema, aspirinas e urubus (2005), de longe, um dos filmes mais marcantes que vi no cinema de retomada ao lado de Lavoura arcaica. Roteirista do polêmico Madame Satã (2002), o diretor pernambucano tem uma cinematografia curta e outro dia tive oportunidade de ver um de seus mais recentes trabalhos, o drama Era uma vez eu, Verônica.

Protagonizado por Hermila Guedes, musa dessa turma pernambucana, a atriz vive aqui uma recém-formada médica que enfrenta o dia a dia nos hospitais público da capital Recife. Paralelamente, sua vida profissional que começa a caminhar, se choca com a privada, marcada por um relacionamento frágil e pelo cuidado com o pai doente. “Eu Verônica, paciente de mim mesma, tentando pensar a vida de outro jeito, com medo do futuro, em crise”, desabafa ela.

Cineasta sensível que expõe com naturalidade as fragilidades, medos e sentimentos de seus personagens, Marcelo Gomes aqui chama para si o desafio de desvendar a alma feminina. Insegura, Verônica é nitidamente uma mulher em crise e em dúvida consigo mesma. Crise essa que torna mais contundente com a realidade que a cerca. “Doutora, a senhora não conversa com o paciente. A senhora examina o paciente”, repreende um superior, ensinando-a como trabalhar. “Só consigo dormir quando bebo, quando bebo me sinto curado”, confidencia um paciente no consultório.

Aliás, o olhar documental que o diretor imprime à trama, quase como uma crônica do cotidiano da cidade de Recife é válido. As mazelas dos hospitais públicos mostrados de forma singela meio que se mistura com os conflitos emocionais e pessoais de Verônica. Mesmo que esteja bem aquém do deslumbre narrativo de Cinema, aspirinas e urubus, esse drama sincero e intimista é um capítulo a parte do novo cinema pernambucano.

* Este texto foi escrito ao som de: Chão (Lenine – 2011)

Chão - Lenine

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