Diretores – Hector Babenco

O cineasta argentino-brasileiro nos bastidores de seu filme mais contundente

O cineasta argentino-brasileiro nos bastidores de seu filme mais contundente

Quando esteve em Brasília para lançar o filme Carandiru, lá fui eu entrevistar o Hector Babenco. Ao me apresentar, o cara tomou um susto. Isso porque tenho o mesmo nome do personagem imortalizado pelo diretor argentino no cinema, o bandido carioca Lúcio Flávio. De modo que, quando falei o nome ele disse bem solene: “Ah, a cria e o criador!”, comentou, colocando as duas mãos sobre o peito. Essa história virou folclore no meu currículo, mais ainda o fato de meu pai ter me dado nome de bandido. A questão é com um pai desses quem precisa de inimigo?

Radicado no Brasil há anos, Hector Babenco está mais do que familiarizado com a realidade social do país. Impactantes, seus filmes, trazendo uma pegada de documentário-ficção, são contundentes radiografias de nossas mazelas urbanas e o diretor, atento, optou por um recorte diferente, ou seja, lado marginal da vida.

Obsessão ou não, o fato é que Babenco ficaria um pouco estigmatizado por esta escolha. Contundo, poucos cineastas registraram com habilidade nas telas esses temas. Assim, os melhores filmes policiais brasileiros saíram de suas mãos. Eis a seguir alguns deles.

Top five – Hector Babenco

 O beijo da mulher-aranha (1985) – Baseado em livro homônimo do argentino Manuel Puig, o Lúcio Fláviofilme se vale de estrutura narrativa teatral para contar a história de dois presos com personalidades fortes obrigados a conviver no inferno de uma cela. Um deles é homossexual e o outro preso político. O clima dramático intenso criado por Babenco é sufocante.

Pixote – A lei do mais fraco (1980) – Dos filmes de Babenco é o que tem mais pegada documental. Trama barra pesada, com ritmo tenso, o longa faz uma contundente denúncia sobre um problema nacional que, infelizmente, ainda perdura: a dos menores abandonados. Atuação de elenco mirim amador é exultante, mas merecem destaques os veteranos Jardel Filho e Marília Pêra.

Lúcio Flávio – O passageiro da agonia (1977) – O filme fez mais de 5 milhões de expectadores, numa época em que só os Trapalhões e Mazzaropi conseguiam tão feito. Polêmico, por mostrar a promiscuidade entre o grupo de extermínio “esquadrão da morte” e a polícia, esse drama policial traz narrativa ágil e atuações marcantes. Destaques, claro, para o protagonista Reginaldo Farias. Reza a lenda que Babenco foi pedir autorização para o bandido Lúcio Flávio para fazer o filme na cadeia e ele bronqueou: “Se você fizer o filme é um homem morto!”. O diretor só fez o filme depois que mataram o bandido na cadeia.

Ironweed (1987) – Depois do sucesso mundial de O beijo da mulher-aranha, que inclusive foi indicado ao Oscar, Babenco foi convidado a trabalhar em Hollywood. Protagonizado por Jack Nicholson, esse drama de época é dirigido pelo diretor com segurança e sensibilidade.

Carandiru (2003) – Filme épico do diretor baseado no ótimo livro homônimo de Dráuzio Varella, a fita tem ponto alto na ótima direção de atores. A sequência da chacina dentro do presídio é grandiosa.

* Este texto foi escrito ao som de: Él mato a um policía motorizado (2004)

El mato

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s