Transcendence – A revolução (2014)

Nessa ficção científica absurda e pretensiosa Johnny Depp vislumbra a possibilidade ser um deus virtual

Nessa ficção científica pretensiosa Johnny Depp vislumbra a possibilidade ser um deus virtual

Transcendence – A revolução, o mais recente filme de Johnny Depp que provavelmente deve estar em cartaz na cidade este fim de semana é de uma pretensão irritante. Na fita que marca a estreia do diretor de fotografia Wally Pfister na direção, o conceito de deus ganha uma nova abordagem a partir do mundo cibernético no qual estamos mergulhados de uns dez anos para cá. Posso estar engano, mas me parece que é mais ou menos a ideia sobre o assunto que tem Bill Gates e o falecido Steve Jobs. Ou seja, a de um ser todo-poderoso virtual que rege nossas vidas a partir de códigos, números, teorias e experiências complicadas.

Para mim, não me convence nem o conceito simplista vigente, muito menos o futurista. Sendo bem sincero, os dois me incomodam bastante. Mas tem uma frase do filme que mais ou menos dá uma pista do grande buraco negro no qual estamos mergulhados com relação ao assunto. “As pessoas sempre temem o que não entendem”, diz o pesquisador de inteligência artificial vivido por Depp, Will Caster.

Para ele existe vida sensível e inteligente depois da morte e vai provar sua teoria sendo ele mesmo cobaia de sua ideia ousada e controversa. Bastar provar para as pessoas a existência da autoconsciência em máquinas. “A jornada é mais importante do que o destino”, avisa, antes de partir para a prática.

Mas no meio do caminho ele perde o controle da situação por estar à deriva diante de um grupo terrorista contra as suas ideias, mas também por se deixar se levar por ambição megalomaníaca desmedida que o transforma num fantasma virtual com poderes divinos. A sequência em que ele cura pessoas deficientes, cegas e doentes é de uma patetice incômoda. Na verdade nem sei como tiveram coragem de colocar essa cena em ação, de tão problemática que é em vários aspectos: científicos, morais e até religiosos.Trancendence 3

A ideia de que estaremos tão reféns da modernidade é tão boboca chega a ser deprimente. Dentro deste contexto a impressão que tenho ao ver Trancendence é que já perdemos o controle do futuro bem antes dele chegar. Contudo, aparentemente sem se dar conta, o fraco roteiro do filme parece ter uma vaga noção dessa premissa na frase preocupante de um dos personagens. “Não escrevo à mão desde o colégio”, diz ele.

Como se vê, mais uma vez Johnny Depp entrou numa canoa furada ao escolher mal um roteiro de filme. Com 50 anos recém completados, o ator parece não ter sido abençoado nos últimos projetos pela maturidade profissional. Ainda bem que Trancendence conta com boas atuações, como a do ator britânico Paul Bettany, mas mesmo assim o ator tem sua perfomance prejudicada por um roteiro falho, cheio de buracos narrativos e ideias mal formuladas.

Ficção científica fajuta, o filme, que fazendo jus ao clichê não deixa prestar velada homenagem a clássicos dos gêneros – entre eles 2001 – Uma odisséia no espaço – pode até agradar nerds carentes de histórias futurísticas malucas como Matrix e congêneres. Mas para mim não passa de uma super enganação de US$ 100 milhões de dólares. Ainda bem que não gastei nenhum tostão do meu parco dinheiro para ver essa bobagem. Dentro deste contexto, acho que o filme deveria se chamar Trancendence – A regressão.

* Este texto foi escrito ao som de: Is this it (The Strokes – 2001)

Is this it

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