Rambo: Programado para matar (1982)

Ele só queria um lugar para comer, mas acabou entrando numa guerra para salvar a moral

Ele só queria um lugar para comer, mas fez de ua desfeita em sua guerra particular 

Acredite se quiser. Mas um dia eu já quis ser Rambo. E também Conan, o Bárbaro. Parece piada, mas é a mais pura, crassa e hedionda verdade. Adorava ficar exibindo os músculos que não tinha em frente ao espelho e colecionar armas de madeiras, imitando no quintal de casa os meus heróis da pré-adolescência em ação: Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Mas ainda bem que os Beatles me salvaram dessa roubada, quando escutei pela primeira vez Hey Jude.

De qualquer forma fui um daqueles jovens que assistiu pela primeira vez Rambo: Programado para matar exibido no Cinema em Casa, do SBT. Isso foi no longínquo ano de 1988 e eu tinha 12 anos. E, todo mundo que tem um neurônio a mais sobrando, sabe que, assim como Rock – O lutador (1976), este primeiro filme da série é o melhor de todos.

Na trama co-escrita pelo astro Sylvester Stallone, John Rambo é um ex-combatente da guerra do Vietnã que volta para casa depois de anos sofrendo no campo de batalhas. Ele não sabe, mas é o último de uma tropa de elite preparada para vencer todos os obstáculos em tempos de batalha. Ao chegar numa pequena e provinciana cidade do interior dos Estados Unidos, ele é perseguido injustamente pelo xerife local, transformando o abuso de poder do oficial como ofensa pessoal. Isso porque a autoridade mexeu com o cara errado, um boina-verde condecorado pelo Congresso e herói de guerra que, sozinho, coloca em pandarecos uma cidade inteira numa busca insana em seus encalços.

“Na cidade você é a lei. Aqui sou eu. Não me provoque ou vai ter uma guerra que não vai acreditar, Rambo - Programado para Matar (First Blood)me deixa em paz”, avisa. “Não vim aqui salvar ele de vocês, mas para salvar vocês deles”, alerta o confiante Coronel Samuel Trautman, vivido por um espetacular Richard Crenna.

Baseado em livro de 1972 escrito por David Morrell, a história do filme é bem diferente do romance, que traz um personagem problemático que dizima milhares de pessoas. No filme Stallone vive um herói de guerra condecorado que é esnobado pela sociedade que ele deu a vida na guerra e essa mudança de rumo, acredito, foi um ganho para a história, apesar dos exageros bélicos.

Contundente crítica política, Rambo: Programado para matar traz à tona, em forma de espetáculo visual, uma questão cara ao recente passado da América, que é o problema dos descasos das autoridades norte-americanas e – da própria sociedade -, com relação aos soldados que lutaram na Ásia. Tema abordado em filmes como Nascido em 4 de Julho, de Oliver Stone. “Não tenho vida civil. Na guerra eu manuseava equipamentos de um milhão de dólares, aqui não consigo emprego nem como manobrista”, reclama aos prantos o herói, numa das cenas mais chocantes do filme.

Mais do que eletrizante filme de aventura e ação, esse primeiro Rambo é um tapa de pelica na cara da hipocrisia da maior nação do planeta.

* Este texto foi escrito ao som de: The very best of the Hollies (1993)

The Hollies 2

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